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Você sabia que as aves conectam nossa região com a Amazônia?

Muitos pássaros são migratórios e passam por aqui antes de seguir para o Norte do país; ouça a coluna 'CBN Sons da Terra'
Você sabia que as aves conectam
Muitos pássaros são migratórios e passam por aqui antes de seguir para o Norte do país; ouça a coluna 'CBN Sons da Terra'

Muitos pássaros são migratórios e passam por aqui antes de seguir para o Norte do país; ouça a coluna ‘CBN Sons da Terra’

A Amazônia mantém uma conexão direta e significativa com regiões do Sudeste e Sul do Brasil por meio das aves migratórias, Você sabia que as aves conectam nossa região, que utilizam essa vasta floresta como local de descanso e alimentação durante suas longas rotas migratórias. Ornitólogos destacam que muitas espécies passam parte do ano em quintais e áreas urbanas do Sudeste e, com a chegada do outono e inverno, migram para a Amazônia, onde encontram um ambiente úmido e com abundância de alimento.

Conexão entre Amazônia e outras regiões por aves migratórias

Segundo especialistas, as aves migratórias possuem duas regiões principais em sua rotina anual: uma para reprodução e outra para descanso. No Brasil, diversas espécies reproduzem-se no Sudeste durante a primavera e, em seguida, migram para a Amazônia para passar o outono e o inverno. Essa migração não ocorre apenas entre o Sudeste e a Amazônia, mas também entre a América do Norte e a floresta amazônica, demonstrando a importância global desse ecossistema.

O ornitólogo Arthur Gomes explica que a Amazônia funciona como uma espécie de “praça de alimentação” para essas aves, que migram para lá em busca de alimento quando as condições em suas regiões de origem se tornam desfavoráveis, como em períodos de seca ou escassez de insetos. A floresta amazônica, por ser uma floresta úmida, oferece disponibilidade constante de alimento, principalmente insetos, o que atrai as aves migratórias.

Exemplos de espécies migratórias e seus comportamentos: Entre as espécies citadas estão o gavião tesoura, que possui populações que migram tanto para a Amazônia quanto para a América do Norte, e a andorinha de bando (Irundo rustica), típica da América do Norte, que há cerca de dez anos começou a estabelecer colônias reprodutivas na Argentina, invertendo sua rota migratória tradicional. Outra ave mencionada é a pescadora, que migra da América do Norte para a América do Sul, embora não haja registros confirmados de reprodução no Brasil.

O bem-te-vi rajado e a tesourinha são outras espécies que utilizam a Amazônia como parte de seu ciclo migratório. Essas aves são adaptadas a ambientes de borda e áreas abertas, e não necessariamente dependem de florestas preservadas para sobreviver, o que as torna menos vulneráveis a impactos ambientais em nível populacional, embora possam sofrer efeitos individuais.

Aspectos comportamentais e instintivos da migração

Ao contrário do que se imagina, a migração dessas aves não depende do aprendizado dos pais, mas sim de um instinto inato. Filhotes, mesmo sem acompanhamento dos progenitores, sabem quando e para onde migrar. No entanto, fatores ambientais, como a poluição luminosa das cidades, podem atrapalhar a orientação dessas aves durante o voo noturno.

Além disso, a fumaça proveniente de queimadas na Amazônia pode afetar a migração, embora algumas espécies voem acima da camada de fumaça. Ainda assim, os impactos ambientais podem influenciar a sobrevivência e o comportamento das aves migratórias.

Impactos do desmatamento e conservação: O desmatamento da Amazônia representa uma ameaça significativa para a manutenção dessas rotas migratórias e para o equilíbrio climático do Brasil. A floresta desempenha um papel crucial no ciclo hidrológico, influenciando a umidade e as chuvas em outras regiões do país. A degradação ambiental pode levar à savanização da floresta, reduzindo a disponibilidade de água e afetando diretamente as condições para as aves migratórias e para a população humana.

Embora algumas espécies se beneficiem da criação de bordas e áreas abertas resultantes do desmatamento, a perda da floresta em pé compromete a biodiversidade e a sustentabilidade dos ecossistemas. O ornitólogo Luciano Lima ressalta que o aumento de algumas espécies em áreas degradadas pode ser um indicador de desequilíbrio ambiental.

Entenda melhor

A migração das aves é um fenômeno natural que conecta diferentes ecossistemas e regiões geográficas. A Amazônia, por sua umidade constante e abundância de alimento, é um ponto estratégico para diversas espécies durante suas rotas migratórias. A conservação da floresta é fundamental para garantir a continuidade desses ciclos e para manter o equilíbrio ambiental que beneficia todo o Brasil.

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