Índice é superior aos Estados Unidos e Europa; especialista aponta que o motivo pode ser o alto consumo de álcool no país
Doenças hepáticas representam um problema de saúde significativo no Brasil, sendo responsáveis por 3% das mortes no país, índice superior ao observado em países da Europa e nos Estados Unidos. Um estudo de três anos, realizado pelo Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biológicas (pertencente ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanobiofarmacêutica), analisou dados do SUS (1996-2022) e apontou o consumo excessivo de álcool como um dos principais fatores contribuintes.
Alta incidência de doenças hepáticas no Brasil: o fator álcool
Em entrevista, a médica gastroenterologista Saluciana Shiraibir explicou que a alta taxa de consumo de álcool no Brasil contribui significativamente para o aumento dos casos de cirrose alcoólica, uma das principais causas de morte por doença hepática crônica. A especialista destacou a importância do diagnóstico precoce, já que muitas doenças hepáticas, em estágios iniciais, são assintomáticas.
Sintomas e diagnóstico: a importância da prevenção
Embora doenças hepáticas iniciais geralmente não apresentem sintomas, a cirrose avançada pode manifestar-se com icterícia (amarelão) e ascite (barriga d’água). Alterações em exames de imagem (ultrassonografia abdominal), avaliações laboratoriais de enzimas hepáticas e contagem de plaquetas podem auxiliar no diagnóstico precoce. A médica enfatizou a importância da avaliação por um profissional especializado para detectar pacientes em risco de progressão para doença hepática crônica.
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Esteatose hepática e cuidados com o fígado
A esteatose hepática, ou gordura no fígado, afeta cerca de 40% da população e é uma das principais causas de cirrose, frequentemente associada à obesidade. Para combater a gordura no fígado, a médica recomenda a adoção de hábitos de vida saudáveis, como perda de peso, controle do colesterol, triglicerídeos e ácido úrico. Além disso, ressalta a importância de uma dieta equilibrada e a prática regular de exercícios físicos, lembrando que o fígado desempenha um papel crucial no metabolismo de hormônios, substâncias, vitaminas e sais minerais. A redução ou eliminação do consumo de álcool também é fundamental para a saúde hepática.
Em suma, a prevenção e o diagnóstico precoce são cruciais no combate às doenças hepáticas no Brasil. A combinação de hábitos de vida saudáveis, acompanhamento médico regular e atenção aos sintomas, quando presentes, são essenciais para proteger a saúde do fígado e reduzir a mortalidade associada a essas doenças.



