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Você sabia que as eleições na Argentina podem impactar na economia da região?

País sul-americano é um dos principais compradores de sapatos das indústrias de Franca; especialista fala desta relação
Eleições na Argentina
País sul-americano é um dos principais compradores de sapatos das indústrias de Franca; especialista fala desta relação

País sul-americano é um dos principais compradores de sapatos das indústrias de Franca; especialista fala desta relação

As eleições presidenciais argentinas, que foram para o segundo turno, preocupam o setor calçadista de Franca, importante polo empregatício brasileiro. A Argentina é o terceiro maior comprador de calçados brasileiros, atrás apenas dos Estados Unidos e do Chile.

Impacto das Eleições na Economia de Franca

A disputa entre Sergio Massa e Javier Milei gera apreensão em Franca. Massa, apesar de não ter conseguido controlar a inflação argentina (acima de 130% ao ano), representa a continuidade comercial. Já Milei, da extrema direita, declarou em julho a intenção de retirar a Argentina do Mercosul, o que afetaria significativamente as exportações brasileiras. Atualmente, dois em cada dez pares de calçados produzidos em Franca são destinados à Argentina.

Preocupações do Setor Calçadista

O diretor de uma fábrica em Franca, José Rosa Jacomet, destaca a capacidade de triplicar as exportações, mas demonstra preocupação com o cenário político-econômico argentino. O diretor do sindicato das indústrias calçadistas de Franca, José Carlos Brigagão do Couto, lembra que o Brasil já exportou mais calçados para a Argentina no passado (em 2013, Franca empregava 30 mil pessoas no setor, hoje são menos de 15 mil). A incerteza sobre as políticas econômicas do próximo governo argentino gera grande expectativa no setor.

Análise Econômica e Perspectivas

Zé Rita Moreira, economista, acredita que, a curto prazo, não haverá mudanças drásticas para o setor calçadista, independentemente do vencedor. A Argentina, mesmo com inflação altíssima, comprou mais de 12 milhões de pares de calçados brasileiros em 2023 (faturamento de R$ 900 milhões). Moreira destaca que as decisões econômicas argentinas dependem do Legislativo, minimizando o impacto imediato das eleições. A preocupação maior, segundo a análise, reside na concorrência asiática, que oferece produtos de alta qualidade com preços mais baixos. Apesar da queda nas exportações para a Europa (principalmente França), o câmbio favorável ao real e a tradição de qualidade do setor calçadista brasileiro são apontados como fatores positivos para o futuro. A ApexBrasil lançará um programa de qualificação para exportação na próxima semana, buscando preparar empresas brasileiras para o mercado externo.

Em resumo, embora existam incertezas, a expectativa é de que as exportações de calçados para a Argentina continuem, mesmo com os desafios impostos pela conjuntura econômica e política do país. A busca por diversificação de mercados e a qualificação das empresas brasileiras são consideradas essenciais para garantir o sucesso do setor calçadista a longo prazo.

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