Ouça a coluna ‘CBN Mulher’ com Heloisa Zaruh
A relação entre mulheres e Carnaval no Brasil passou por grandes transformações ao longo da história. Antigamente, a participação feminina era extremamente limitada, contrastando com a imagem festiva que conhecemos hoje.
Dos Entrudos às Festas Familiares
O Carnaval brasileiro, originário dos entrudos portugueses, inicialmente era um evento predominantemente masculino. As mulheres, confinadas ao espaço doméstico, participavam apenas de entrudos familiares, onde práticas como o lançamento de limões perfumados simbolizavam interações amorosas.
A Evolução da Participação Feminina
Com a chegada de desfiles de carros alegóricos e bailes de fantasia, a participação feminina continuou restrita. Enquanto os homens organizavam os eventos, as mulheres se limitavam à observação, com exceção de algumas prostitutas estrangeiras que podiam desfilar. A revolta de algumas cariocas impulsionou a criação de bailes exclusivos para mulheres, mas a participação em grandes desfiles permanecia desigual.
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O Surgimento dos Cordões e o Papel das ‘Tias’
O surgimento de cordões e blocos carnavalescos, organizados por grupos populares, representou uma mudança significativa. Embora a participação feminina tenha sido inicialmente limitada pela repressão policial, a partir das primeiras décadas do século XX, as mulheres passaram a integrar esses eventos em maior número. Além de desfilar, elas desempenharam um papel fundamental na confecção de fantasias e na organização de eventos para arrecadar fundos. As chamadas ‘tias’, mulheres baianas que abriam suas casas para encontros de sambistas, criaram espaços seguros e contribuíram para a preservação do samba, impulsionando a cultura carnavalesca até os dias atuais.
A trajetória da mulher no Carnaval brasileiro demonstra uma evolução significativa, de uma participação marginal a um papel central na festa. De observadoras a protagonistas, as mulheres construíram sua presença na folia, moldando a festa que conhecemos hoje.



