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Você sabia que cachorros conseguem identificar os objetos?

Quem fala sobre a pesquisa e a inteligência dos cães é Gelson Genaro na coluna 'CBN Pet News'
Você sabia que cachorros conseguem identificar
Quem fala sobre a pesquisa e a inteligência dos cães é Gelson Genaro na coluna 'CBN Pet News'

Quem fala sobre a pesquisa e a inteligência dos cães é Gelson Genaro na coluna ‘CBN Pet News’

Uma pesquisa recente trouxe evidências de que cães também formam representações mentais de objetos, de maneira semelhante aos humanos. O achado, comentado pelo professor de fisiologia e bem-estar animal Dr. Gelson Genaro, reforça a hipótese de que os animais domésticos armazenam na memória não apenas comandos, mas conceitos associados a palavras e situações cotidianas.

O estudo e a metodologia

O trabalho, realizado por um grupo de pesquisadores húngaros e publicado na revista Current Biology, utilizou um protocolo sofisticado para mapear a atividade cerebral dos cães sem procedimentos invasivos. Donos eram filmados falando com seus animais e nomeando objetos — por exemplo, dizendo “bola” enquanto mostravam uma bola. Em alguns trechos, porém, o objeto apresentado era diferente daquele nomeado.

Com eletrodos colocados sobre a pele dos cães, os pesquisadores registraram padrões de atividade neural distintos quando a palavra e o objeto coincidiam e quando não coincidiam. Segundo Dr. Gelson, esses sinais indicam que o cão ativa uma representação mental do objeto ao ouvir seu nome, o que confirma a existência de processamento semântico no cérebro canino.

Palavras, entonação e comunicação

Além de reconhecer palavras, os cães também são sensíveis à entonação. A maneira como um comando é proferido — suave, enfática, alongada — altera a interpretação do animal sobre a situação. A entonação funciona como um complemento informativo e pode reforçar ou, em alguns casos, confundir a compreensão do cão.

Outro aspecto destacado pelos pesquisadores é a importância do contato visual: movimentos oculares do tutor influenciam a resposta do animal. Durante os testes, por exemplo, o condutor precisava evitar olhar diretamente para o cão, pois o animal perceberia esse movimento como informação adicional.

Significado prático e limites da interpretação

O estudo ajuda a explicar por que comandos do dia a dia, como “vamos passear”, provocam reações imediatas nos cães — a palavra passa a ter uma carga afetiva e situacional no cérebro do animal. Ainda assim, os especialistas alertam que a compreensão canina não é idêntica à humana: enquanto uma pessoa pode generalizar “bola” para diferentes tipos de bolas, o cão tende a associar a palavra a objetos específicos com os quais teve experiência direta.

Os autores observam também a necessidade de replicação e de testes controlados para eliminar ambiguidades interpretativas. A ciência demanda experimentos rigorosos para garantir que as conclusões reflitam processos cognitivos bem definidos e não sinais comportamentais secundários.

Para tutores e profissionais, a pesquisa confirma a sofisticação da cognição canina e reforça a importância de treino consistente e de atenção à forma como nos comunicamos com os animais.

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