Cristina Trovó fala sobre a importância de consumir alimentos que equilibrem a microbiota intestinal; ouça o ‘CBN Nutrição’
O intestino humano abriga um ecossistema complexo de micro-organismos — bactérias, vírus e até parasitas — que, quando em equilíbrio, contribuem para a saúde. Em entrevista à nossa coluna, a nutricionista Cristina Trovó explicou como alterações nessa microbiota podem influenciar o peso e a absorção de nutrientes, e quais medidas ajudar a restaurar esse equilíbrio.
Microbiota intestinal e ganho de peso
Estudos indicam que a composição da microbiota em pessoas com obesidade difere da observada em indivíduos com peso considerado saudável. Um dos achados recorrentes é o aumento relativo de certos grupos bacterianos do filo Firmicutes, associados a maior capacidade de extrair energia dos alimentos. Essa maior eficiência pode favorecer o acúmulo de peso e contribuir para resistência insulínica, diabetes e doenças cardiovasculares.
A microbiota também interfere na produção de hormônios envolvidos no apetite e na saciedade, como leptina e grelina, explicando em parte por que um desequilíbrio intestinal pode dificultar o controle do peso mesmo quando a ingestão calórica é reduzida.
Leia também
Quando suspeitar e quais exames existem
Sintomas como dificuldade persistente para emagrecer, excesso de gases, alteração no ritmo intestinal — diarreia ou constipação — podem sinalizar desequilíbrio da microbiota. Hoje já existem exames que traçam o perfil das bactérias intestinais, inclusive em algumas localidades do interior de São Paulo, mas são procedimentos geralmente onerosos e indicados conforme avaliação médica ou nutricional.
Antes de recorrer aos exames, profissionais recomendam avaliação clínica para identificar sinais e sintomas que justifiquem a investigação laboratorial e definir intervenções individualizadas.
Intervenção: alimentação, prebióticos e probióticos
O tratamento, segundo Cristina Trovó, não se resume à restrição calórica. É necessário um plano alimentar que atue diretamente na microbiota, favorecendo o crescimento das bactérias benéficas. Alimentos ricos em prebióticos — substratos que nutrem as bactérias boas — podem ser incluídos na alimentação, como biomassa de banana verde, chicória, psyllium, alho e outros itens citados pela especialista.
Os probióticos, que introduzem microorganismos benéficos, podem ter papel complementar, mas não garantem por si só um intestino saudável se não houver mudança no padrão alimentar. Trovó ressalta que, sem oferecer o “alimento” para as bactérias boas, a simples suplementação tende a ter efeito limitado. A prática regular de atividade física também é apontada como fator que modifica positivamente a microbiota.
Por fim, a profissional destaca a importância da mudança de comportamento: planejar, comprar e preparar alimentos exige adesão e tempo — ações que sustentam resultados a longo prazo mais do que a compra isolada de suplementos.
O diálogo entre paciente, nutricionista e médico é crucial para definir exames e estratégias, priorizando intervenções alimentares e de estilo de vida que promovam uma microbiota mais equilibrada e reduzam os riscos associados ao ganho de peso.