Ouça a coluna ‘CBN Nutrição’, com Cristina Trovó
Embora o mundo possua uma vasta gama de plantas comestíveis, com cerca de 300 mil espécies entre as 400 mil existentes, apenas uma pequena fração, cerca de 200, é realmente consumida em larga escala. Muitas dessas plantas, facilmente encontradas na natureza, são negligenciadas em nossa dieta diária.
O Esquecimento das Plantas Comestíveis Não Convencionais
A especialista Cristina Trovó aponta que o receio não é o principal motivo para o baixo consumo dessas plantas. Ela acredita que as Plantas Comestíveis Não Convencionais (PANC) foram simplesmente esquecidas. A diversidade de opções que tínhamos foi drasticamente reduzida, e no dia a dia, limitamo-nos a um pequeno número de escolhas encontradas em feiras e supermercados, como alface, tomate e cenoura. As PANC, por serem desconhecidas, acabam sendo confundidas com ervas daninhas.
Exemplos e Benefícios das PANC
Trovó cita diversos exemplos de PANC encontradas em diferentes regiões, como o Ora-pro-nóbis, a Taioba e o Jambolão em Minas Gerais, e a Beldroega e o Sorbo em São Paulo. Ela também destaca o Pequi, encontrado em mercados, como um fruto não convencional rico em vitaminas A, C e E, excelente para a visão, pele e no auxílio contra infecções. O óleo de Pequi contém compostos fenólicos, antioxidantes e anti-inflamatórios. Outra opção é a Azedinha, com sabor semelhante ao limão, que pode ser utilizada em sucos e possui propriedades que dificultam a proliferação de vírus, como o H1N1.
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PANC na Gastronomia e no Cultivo Doméstico
Grandes chefs, como Alex Atala, têm incorporado PANC em pratos sofisticados, utilizando flores comestíveis como a Capuchinha, rica em ferro, enxofre, cálcio, potássio e vitamina C, que auxilia no sistema imunológico. A Taioba, semelhante à couve, é ainda mais nutritiva e pode ser facilmente cultivada em casa. É importante ter cuidado ao comprar Taioba para não confundi-la com folhas semelhantes e sempre refogá-la ou branqueá-la antes do consumo. A especialista incentiva o resgate do plantio doméstico dessas plantas, pois a preservação da biodiversidade depende desse esforço.
Em suma, a redescoberta e a inclusão dessas plantas em nossa alimentação podem trazer benefícios nutricionais e sensoriais, além de contribuir para a preservação da biodiversidade.