Animal é símbolo por representar a fertilidade e a vida nova; vendedora diz que procura pelo pet é duas vezes maior nessa época
Uma pesquisa da Associação Comercial de Ribeirão Preto apontou que, na comparação por peso, ovos de Páscoa chegam a custar quase quatro vezes mais que barras de chocolate. Com a data próxima, consumidores se dividem entre manter a tradição dos ovos ou optar por alternativas mais econômicas.
Preços e escolha do consumidor
O aumento do preço dos ovos tem levado famílias a repensar a compra. Enquanto parte do público mantém o ritual da Páscoa — presenteado por tradição e apelo visual — outra parcela opta por barras de chocolate ou por reduzir gastos. Especialistas em consumo afirmam que a decisão costuma ser influenciada pelo orçamento familiar, pelo valor simbólico da data e pela disponibilidade de promoções sazonais.
Venda de coelhos e cuidados necessários
Além do chocolate, a tradição da Páscoa também impulsiona a procura por coelhos de estimação. A criadora Dalila Borba afirma que, por atuar com esses animais, percebe aumento expressivo nas vendas: em média ela comercializa entre 8 e 15 coelhos por mês, com picos na época da Páscoa que já chegaram a 40 ou 45 animais. O animal acabou associado à data por representar fertilidade e renovação, características vistas tradicionalmente como símbolos da festividade.
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No entanto, organizações de proteção animal alertam que coelhos exigem cuidados específicos. Diferentemente do que muitos acreditam, coelhos são lagomorfos e não roedores, e demandam atendimento veterinário especializado. Não há, no Brasil, vacinas preventivas universais para esses animais; o tratamento costuma ser feito conforme a necessidade clínica.
Questões de alojamento e enriquecimento ambiental são fundamentais. Existem debates sobre o uso de gaiolas — dimensões citadas como referência são 60 cm por 40 cm para confinamentos temporários —, mas protetores recomendam que o espaço permita que o animal se movimente e interaja. Muitas vezes a gaiola é sugerida apenas como banheiro ou para situações pontuais: limpeza, visitas ou adaptação inicial. A ausência de itens de enriquecimento, como casinhas de madeira, feno e brinquedos, pode levar o coelho a roer móveis e objetos; esse comportamento costuma refletir falta de estímulos adequados, não apenas “mau comportamento”.
Outros cuidados essenciais envolvem alimentação balanceada (feno, verduras específicas e ração apropriada), atenção à saúde dental — supercrescimento dos dentes é problema comum — e observação diária de sinais como apetite, volume e formato das fezes e frequência de micção, que indicam o estado de saúde do animal.
Adoção e vida em família
Andressa, que recolhe e adopta coelhos em Barretos, conta que seus três animais — Duque, Alice e Fiona — são castrados e vivem soltos dentro de casa, em convívio com o cachorro da família. Ela relata rotina de cuidados com alimentação à base de feno e verduras e ressalta que um coelho pode viver entre oito e dez anos. Em um caso, um animal acolhido temporariamente acabou sendo adotado definitivamente após conquistar a família.
Quanto ao custo, segundo criadores consultados, um coelho pode variar aproximadamente entre R$ 200 e R$ 2.000, dependendo de linhagem, procedência e destino (pet ou reprodutor).
Especialistas e protetores recomendam que a compra ou doação de coelhos na Páscoa seja precedida de informação: é preciso avaliar disponibilidade para cuidados de longo prazo, a necessidade de atendimento veterinário especializado e a adequação do ambiente doméstico. A decisão deve priorizar o bem-estar do animal e a responsabilidade do tutor.



