Doença é crônica e causada por uma bactéria; médico dermatologista Marco Andrey Cipriani Frade fala dos riscos
O Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de casos de hanseníase, atrás apenas da Índia. Apesar disso, a doença ainda é pouco discutida, tanto na sociedade quanto nas políticas públicas. Para entender melhor essa realidade, conversamos com o dermatologista Marco André Cipriani-Frad, que trabalha com pacientes de hanseníase e estuda a doença há mais de 25 anos.
Desmistificando a Hanseníase
A hanseníase, antigamente conhecida como lepra, carrega um estigma histórico associado à pobreza e a interpretações bíblicas equivocadas. Essa imagem negativa persiste na sociedade, perpetuando preconceitos e dificultando o diagnóstico precoce. É fundamental desmistificar a doença, lembrando que ela tem cura e que o tratamento é gratuito pelo SUS.
Sinais e Sintomas da Hanseníase
A hanseníase afeta principalmente os nervos periféricos, manifestando-se com dormência, formigamento, dores e perda de sensibilidade em áreas específicas da pele. Embora lesões na pele sejam um sinal característico (placas avermelhadas, nódulos), muitas vezes a doença se inicia sem essas manifestações visíveis. A hanseníase pode atingir todo o corpo, mas prefere áreas mais frias como membros inferiores, superiores, face e dorso. Câimbras noturnas em dedos ou pés também podem ser um sinal importante.
Diagnóstico e Tratamento
O diagnóstico da hanseníase é principalmente clínico, baseado na avaliação da sensibilidade da pele. Exames laboratoriais podem ser negativos em até 50% dos casos, reforçando a importância do exame físico detalhado por um profissional qualificado. O tratamento consiste em um coquetel de três antibióticos, administrado gratuitamente pelo SUS por um período de seis a doze meses, independente da fase da doença. A busca ativa por casos, como a realizada em Ribeirão Preto, é crucial para o controle da transmissão e para garantir o acesso ao tratamento.
Apesar da redução no número de casos relatados em 2021, a pandemia não solucionou o problema da hanseníase. A subnotificação é um desafio, mas o problema principal é a subdiagnose devido à falta de preparo de profissionais de saúde. Programas de treinamento contínuo, como o implementado em Ribeirão Preto desde 2018, são fundamentais para melhorar o diagnóstico precoce e o controle da doença.



