Quem traz os detalhes sobre a revolução de 1932 é a professora e doutorada em história, Natália Frazão José
Neste 9 de julho, relembramos a Revolução Constitucionalista de 1932, um marco na história de São Paulo. Apesar de ser celebrada como data magna do estado, sua trajetória até se tornar feriado é recente, ocorrendo apenas na década de 1990.
Origens do Conflito: O Golpe de 1930 e suas Consequências
A Revolução de 1932 teve suas raízes no golpe de Estado de 1930, liderado por Getúlio Vargas. Este golpe interrompeu a política do “café com leite”, que alternava o poder entre Minas Gerais e São Paulo. A nomeação de um presidente paulista, Júlio Prestes, foi vista como uma ruptura nesse acordo, gerando insatisfação em Minas Gerais. A morte de João Pessoa, embora não diretamente ligada às eleições, foi usada por Vargas para justificar a tomada do poder. O governo Vargas centralizou o poder, substituindo governadores por interventores, o que gerou grande descontentamento em São Paulo.
O Levante e a Luta Armada: De Manifestações à Guerra
A insatisfação paulista culminou em manifestações, reprimidas violentamente pelas forças federais, resultando na morte de quatro estudantes, que se tornaram símbolos da revolução. O conflito armado eclodiu em 9 de julho de 1932, mesmo após a nomeação de um interventor paulista e civil, e com a data das eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte já agendada. A falta de armas e a pouca experiência dos voluntários paulistas contrastavam com a força do exército federal. A criatividade dos revolucionários, no entanto, se mostrou presente na invenção da “matraca”, um instrumento que simulava tiros e serviu para enganar as tropas federais. Após três meses de combates, principalmente no Vale do Paraíba, os paulistas se renderam em 2 de outubro de 1932.
Legado da Revolução: Mais do que uma Oligarquia
Embora inicialmente motivada por interesses oligárquicos, a Revolução de 1932 demonstrou a força da união popular na luta por direitos e pela reconstitucionalização do país. A data, hoje feriado em São Paulo, é um lembrete da importância da participação cidadã e da luta pela democracia, um legado que transcende os objetivos iniciais do movimento. A Revolução de 1932, mesmo com suas contradições, permanece como um símbolo da história paulista e brasileira, lembrada anualmente como data magna do estado.



