Indicação é que esses remédios sejam consumidos por no máximo três meses; professor de medicina da USP explica os riscos
Quem sofre com azia e queimação no estômago, provavelmente já recorreu a medicamentos como omeprazol, pantoprazol e lansoprazol. Afinal, quase 65 milhões de unidades de omeprazol foram consumidas no Brasil apenas no último ano, segundo a Anvisa. Mas será que o uso desses remédios é tão benigno quanto parece?
O Uso Excessivo de Inibidores de Bomba de Prótons
O Brasil é um país medicalizado, com um consumo excessivo de medicamentos, incluindo os inibidores de bomba de prótons (IBPs). O Dr. Sebastião dos Santos, professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, especialista em saúde pública, alerta para o uso indiscriminado desses fármacos, muitas vezes sem diagnóstico adequado ou orientação médica. A compra livre desses medicamentos, sem receita, contribui para esse cenário.
Riscos do Uso Crônico
O uso prolongado de IBPs, sem necessidade, pode trazer diversos riscos à saúde. Estudos apontam uma possível associação entre o uso crônico desses medicamentos e o câncer de estômago, além de deficiência na absorção de nutrientes essenciais como vitamina B12 e ferro, levando a quadros de anemia. A redução da acidez estomacal também aumenta a população de bactérias no estômago, aumentando o risco de infecções. Outros problemas associados ao uso crônico incluem: redução da absorção de cálcio (fraqueza óssea e maior risco de fraturas), demência, doenças renais, e doenças cardíacas e cerebrais.
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Recomendações e Conclusões
O Dr. Santos reforça a importância de um uso criterioso e orientado por médico desses medicamentos. Em muitos casos, o tratamento com IBPs é limitado a seis a oito semanas, para o alívio de sintomas como azia e queimação. A adoção de mudanças no estilo de vida, como uma alimentação mais equilibrada e a prática de atividades físicas, podem minimizar esses sintomas, reduzindo a necessidade do uso contínuo de medicamentos. A automedicação e o uso crônico de IBPs devem ser evitados, buscando sempre orientação médica para um diagnóstico preciso e tratamento adequado.


