Segundo especialista, o produto é indicado apenas para bebês com mais de três meses e tem que ser com Icaridina
Em Ribeirão Preto, a ameaça da dengue segue no radar da saúde pública e o uso de repelentes virou rotina para parte da população. Para esclarecer dúvidas sobre eficácia, tipos e indicações, a CBN conversou com o dermatologista Dr. Weber Coelho.
Tipos de repelentes e tempo de ação
Segundo Dr. Weber, os três princípios ativos mais comuns no mercado são icaridina, DEET e IR3535. Cada um tem características distintas: o IR3535 é um produto mais antigo, com duração aproximada de quatro horas; o DEET costuma proteger entre quatro e oito horas, dependendo da quantidade aplicada; e a icaridina tem ação mais duradoura, citada na literatura entre 10 e 12 horas, além de repelir espécies como Aedes aegypti, Anopheles e Culex.
Aplicação, segurança e grupos vulneráveis
O dermatologista ressalta que o ideal é aplicar o produto sobre toda a pele exposta — roupas grossas podem impedir a picada, mas não são garantia total. A icaridina ganhou destaque por ser menos tóxica e por poder ser usada em faixas etárias e condições especiais: há formulações em gel e concentrações que permitem o uso em bebês a partir de três meses, em gestantes e em idosos. Para crianças menores de três meses, Dr. Weber recomenda medidas físicas de proteção (roupas, telas) já que não há, segundo especialistas, repelente aprovado para essa faixa etária.
Mitos, odor e reaplicação
Não há relação direta entre cheiro forte e eficácia: a potência depende do princípio ativo, não do aroma. Embora alguns produtos anunciem proteção prolongada, os médicos costumam orientar a reaplicação periódica — pelo menos a cada seis horas é uma recomendação prática em situações de risco — e ressaltam que o veículo (spray, creme ou gel) é secundário diante do princípio ativo e da necessidade de reaplicação.
Sobre a crença popular de que pessoas com glicemia alta atraem mais pernilongos, o especialista afirma que não há comprovação científica dessa associação.
Durante a entrevista, Dr. Weber enfatizou que escolher o produto adequado e aplicá-lo corretamente é parte importante da prevenção individual, que deve ser complementada por ações coletivas de controle do mosquito.



