Ouça a coluna ‘CBN Papo Certo’ com Lígia Boareto
Neste programa da CBN, a jornalista Lígia Boareto, mestre em Linguística e Língua Portuguesa, esclarece dúvidas frequentes sobre o uso da crase, inspirados pela música “Você já foi à Bahia”, de Dorival Caymmi.
Crase: Fusão e não Assento
Lígia começa por esclarecer que crase não é o nome do assento grave, mas sim a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”. A ocorrência da crase depende da regência verbal e da presença do artigo definido na frase. A utilização do assento grave indica essa contração.
A Crase em Nomes de Lugares
A dúvida central gira em torno do uso da crase com nomes de lugares. Uma regra gramatical comum afirma que a crase não é usada antes de nomes de cidades, pois estes repelem o artigo. No entanto, Lígia propõe um método prático: a substituição do verbo “ir” por “voltar”. Se a frase com “voltar” usar “da” (ex: “Eu volto da Bahia”), então a crase é usada em “ir” (ex: “Eu vou à Bahia”). Caso a frase com “voltar” use “de” (ex: “Eu volto de Paris”), a crase não é utilizada em “ir” (ex: “Eu vou a Paris”).
Leia também
Exceções e Especificações
Há exceções. Quando o nome do lugar é especificado (ex: “a Bahia de todos os santos”), o artigo definido é necessário, e consequentemente, a crase. A regra prática “vou à e volto da = crase; vou a e volto de = sem crase” facilita a compreensão e aplicação da regra.