Ginecologista e obstetra Domingos Mantelli fala sobre o assunto na coluna ‘CBN Saúde e Bem-Estar’
O dispositivo intrauterino (DIU) é um método contraceptivo seguro e eficaz, com taxa de sucesso acima de 99% quando inserido corretamente. Sua utilização é indicada a partir do início da vida sexual ativa da mulher, existindo diferentes tipos de DIU, inclusive para adolescentes.
Inserção e Contraindicações
A colocação do DIU pode ser feita em consultório ou hospital, com ou sem anestesia, dependendo da sensibilidade da paciente. O procedimento costuma causar um pequeno desconforto, sendo recomendado que seja realizado durante a menstruação para minimizar a dor. Existem contraindicações para o uso do DIU, incluindo infecções vaginais, deformidades uterinas (como miomas ou útero bicorno), e expulsão do dispositivo pelo organismo (se ocorrer mais de duas vezes, indica que o útero não é receptivo ao método).
Tipos de DIU e Efeitos Colaterais
Existem DIUs hormonais (liberadores de progesterona) e não hormonais (de cobre ou cobre com prata). Os hormonais podem causar retenção de líquido e influenciar no peso e libido, enquanto os não hormonais geralmente não apresentam esses efeitos. O DIU hormonal pode suspender a menstruação em mais de 80% dos casos, enquanto o DIU de cobre pode aumentar o fluxo menstrual. O DIU de cobre com prata tende a manter o fluxo menstrual normal. O custo do DIU hormonal na rede privada gira em torno de R$ 800,00, enquanto o de cobre fica em torno de R$ 200,00. A duração do DIU varia de 3 a 10 anos, dependendo do tipo.
Autonomia da Mulher e Polêmicas Recentes
A exigência de consentimento do parceiro para a colocação do DIU em planos de saúde é considerada um absurdo, pois retira a autonomia da mulher na escolha do método contraceptivo. O DIU hormonal, inclusive, é utilizado no tratamento de diversas patologias, como fluxo menstrual intenso e endometriose. Após a remoção do DIU, recomenda-se esperar um ou dois ciclos menstruais para que o organismo volte ao normal antes de tentar engravidar.



