Com o fim das férias escolares se aproximando, pais e responsáveis precisam redobrar a atenção à rotina das crianças, especialmente em relação aos horários de sono e à alimentação. A mudança brusca de hábitos, comum nesse período, pode impactar o aprendizado, o controle de peso e até aumentar o risco de doenças como a obesidade e o diabetes infantil.
O alerta é do pediatra Thiago Santos Hirose, que orienta que a retomada da rotina deve começar alguns dias antes da volta às aulas, de forma gradual, para evitar impactos no organismo das crianças.
Rotina alimentar
Durante as férias, é comum que horários fiquem desregulados e o consumo de doces, salgadinhos e outros alimentos calóricos, aumente. Segundo o médico, o ideal é que os pais iniciem a reorganização com antecedência, retomando horários fixos para refeições e priorizando alimentos mais naturais.
A orientação é estabelecer uma rotina parecida com a do período letivo, incluindo café da manhã, almoço, lanche e jantar em horários definidos, evitando beliscos frequentes ao longo do dia.
Sono e telas
Outro ponto importante é o sono. O uso excessivo de celulares, tablets e televisores à noite interfere no descanso e dificulta o adormecer. O pediatra recomenda suspender o uso de telas pelo menos duas horas antes de dormir, ajudando o organismo a entrar em ritmo de descanso.
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Segundo ele, sono, alimentação e atividade física caminham juntos e precisam ser ajustados de forma integrada para que a criança volte às aulas mais preparada.
Obesidade infantil
O período de férias também favorece o ganho de gordura corporal, já que há redução da atividade física e maior consumo de alimentos calóricos. O médico reforça que obesidade não é apenas excesso de peso, mas excesso de gordura, principalmente na região abdominal.
Um sinal de alerta simples, segundo o especialista, é observar a circunferência abdominal da criança em relação à altura. Valores acima do recomendado indicam a necessidade de avaliação profissional.
Industrializados e escolhas
Produtos industrializados que prometem ser “fit” ou “sem açúcar” também exigem cautela. Mesmo sem açúcar, eles podem conter outras fontes de carboidratos ou gorduras que elevam o valor calórico. Por isso, a leitura de rótulos e a orientação de profissionais, como nutricionistas, são fundamentais.
O envolvimento das crianças no processo de escolha dos alimentos também é apontado como uma estratégia eficaz. O uso de recursos visuais, como o modelo do “prato saudável”, ajuda os pequenos a entenderem melhor o equilíbrio entre fibras, proteínas e carboidratos.
Papel da família e da escola
Além de orientar, os pais devem controlar o acesso aos alimentos dentro de casa. Manter doces e ultraprocessados facilmente disponíveis aumenta o consumo. A recomendação é limitar a oferta e tratar esses alimentos como exceção, não como rotina.
As escolas também têm papel importante nesse processo, tanto pela oferta de merenda saudável quanto pela educação alimentar e pela socialização, que incentiva hábitos mais equilibrados entre as crianças.



