Com a proximidade do retorno às aulas, especialmente na rede pública a partir de fevereiro, o período de adaptação escolar volta a exigir atenção redobrada das famílias. Após semanas de férias, mudanças bruscas na rotina podem impactar o bem-estar emocional das crianças e adolescentes.
Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, a psicopedagoga Michela Brunelli destacou que o processo deve começar antes do primeiro dia de aula, envolvendo diálogo, organização da rotina e apoio emocional. Segundo ela, a postura dos pais é determinante para que a transição seja mais leve.
Retomada da rotina
Um dos primeiros passos é ajustar gradualmente os horários das crianças. Michela recomenda que, cerca de uma semana antes, os pais comecem a acordar os filhos mais cedo para evitar um choque brusco nos primeiros dias de aula.
Além disso, falar sobre os aspectos positivos da escola é fundamental. Reencontro com colegas, professores, brincadeiras e novos aprendizados ajudam a reduzir sintomas comuns do período, como dor de barriga, choro e resistência para sair de casa. Demonstrar segurança e acolhimento fortalece a confiança da criança.
Envolvimento familiar
A participação das crianças na compra do material escolar também é apontada como um fator importante no processo de adaptação. Segundo a psicopedagoga, esse momento contribui para a criação de responsabilidade, noções básicas de educação financeira e valorização dos materiais.
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Atividades como organizar o estojo, etiquetar os itens e preparar a mochila ajudam a criança a compreender que tudo faz parte de um novo ciclo. Para Michela, esse envolvimento vai além do aspecto prático e reforça o vínculo positivo com a escola.
Diferenças por idade
A adaptação varia conforme a faixa etária. Crianças da educação infantil precisam de acolhimento mais intenso e de uma comunicação próxima entre família e escola, especialmente para relatar hábitos e necessidades do dia a dia.
Já os adolescentes, principalmente no ensino médio, enfrentam outro tipo de ansiedade. O aumento da carga de estudos e as decisões sobre vestibular e futuro profissional exigem diálogo constante e apoio dos pais, que seguem sendo o principal ponto de sustentação emocional nessa fase.
Ansiedade dos pais
A psicopedagoga alerta que a insegurança dos pais também influencia diretamente o comportamento dos filhos. Em casos de primeira experiência escolar, como berçário ou educação infantil, o sofrimento emocional pode ser compartilhado entre adultos e crianças.
Segundo Michela, é natural que os responsáveis se sintam inseguros, mas, se esse sentimento ultrapassar o controle, buscar ajuda profissional pode ser necessário. Psicólogos e psicopedagogos podem auxiliar nesse processo de preparação emocional da família.



