Lígia Boareto, mestra em linguística e língua portuguesa, explica quais as diferenças entre as locuções; ouça o ‘CBN Papo Certo’
Confusão comum no uso de expressões como “a pé”, “de pé” e “em pé” foi esclarecida pela linguista Lígia Boareto durante programa de rádio que acompanhou a movimentação em uma grande feira local. O debate partiu de ouvintes e apresentadores que comentavam o tanto que se anda no evento e as alternativas de transporte — de carrinhos a helicópteros — e serviu de gancho para explicar a norma culta da língua.
Posição corporal: “em pé” e “de pé”
Segundo a especialista, “em pé” e “de pé” são termos sinônimos quando o que se quer indicar é a posição vertical do corpo. Ambos são corretos para dizer que alguém não está sentado nem deitado: “Estou em pé” ou “Estou de pé” são formas aceitáveis, inclusive em usos figurados, como “o barzinho está de pé hoje”.
Locomoção: “a pé” e a preposição para meios de transporte
Quando se refere ao modo de locomoção, a norma culta recomenda “a pé”: andamos a pé, vamos a pé, caminhamos a pé. Para indicar uso de veículos, a preposição mais comum é “de”: andar de carro, ir de avião, viajar de caminhão. Há exceções consolidadas, como “a cavalo”, que funciona como expressão fixa na língua. Em contextos informais algumas pessoas dizem “de pé” para indicar deslocamento a pé, mas o ideal é empregar “a pé”.
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Uso coloquial e presença nas músicas
Lígia também comentou que músicas e falas populares acabam propagando construções que, na norma culta, podem ser consideradas pleonasmos ou desvios. Ainda assim, muitas dessas formas permanecem no português coloquial. No caso do evento coberto pela rádio, o trânsito e a logística fizeram com que muitos ouvintes brincassem que, com o preço dos combustíveis, “logo todo mundo vai andar a pé”.
Em suma, para falar da posição do corpo use “em pé” ou “de pé”; para indicar deslocamento com os próprios pés, prefira “a pé”. Em registros informais, variações ocorrem, mas a distinção ajuda a manter mais clareza na comunicação.