Produção ‘Guerra Civil’ já está disponível nas telonas; crítico André de Castro faz uma resenha na coluna ‘Cinema’
Sinopse e recepção
“Guerra Civil”, dirigido por Alex Garland e estrelado por Wagner Moura, chega às salas em clima de sucesso comercial e boa aprovação crítica. O longa se desenha como uma ficção distópica em que os Estados Unidos vivem sob um governo autoritário e fragmentado, e acompanha um grupo de jornalistas e fotógrafos que atravessa o país na tentativa de entrevistar o presidente e entender as motivações do conflito.
O filme tem sido valorizado pela dinâmica e ritmo: é rápido, direto e evita explicações exaustivas. Essa opção narrativa exige atenção do espectador, privilegiando a construção por entrelinhas em vez da exposição detalhada do contexto político.
Atuação e personagens
Wagner Moura é apontado como o ponto alto do elenco. Sua presença segura e a entrega em cena chamam atenção, mesmo que o personagem não disponha do mesmo espaço dramático que o levou à consagração em trabalhos anteriores. Em tom de comparação, críticos citam a construção contínua de papelões como o de Capitão Nascimento em Tropa de Elite para ilustrar que, aqui, a projeção de Moura é mais contida, mas ainda bastante eficaz.
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Direção, temas e limitações
Tecnicamente, o filme se revela competente: som, efeitos e sequências de ação funcionam e dão coesão ao conjunto. Contudo, há críticas à abordagem temática. Garland organiza o longa mais como um road movie do que como um filme de guerra tradicional, deixando o conflito como pano de fundo para a jornada dos protagonistas. Essa escolha abre uma pergunta central: o filme pretende dramatizar a possibilidade de um enfrentamento interno nos EUA, ou quer apontar para as armadilhas do jornalismo sensacionalista que explora o sofrimento alheio?
Ao não se comprometer claramente com um desses focos, “Guerra Civil” perde oportunidade de aprofundamento. A comparação com obras como Dunkirk, que privilegiam a imersão sem explicar tudo, e com Filhos da Esperança, por sua economia narrativa, mostra que Garland opta pela sugestão — uma aposta que funciona em ritmo e tensão, mas que deixa lacunas no significado global da obra.
Em resumo, o filme vale o ingresso para quem busca um thriller de ação bem executado e atuações expressivas, especialmente a de Wagner Moura, mesmo que a obra fique aquém de uma grande declaração política ou estética.



