Vereador, que também é dentista, teria tirado um cisto das costas de um paciente
Desde que o jornal da cidade divulgou que o vereador Valdir Vilela (PSD) atendia em um ambulatório como se fosse médico, novas denúncias vieram à tona. Uma delas relata que o parlamentar retinha parte dos salários de seus assessores. A mais recente acusação é de um homem, que preferiu não se identificar, alegando ter sido operado pelo vereador, sem saber que ele não era médico, para a remoção de um cisto nas costas.
Investigação em Andamento
Após a cirurgia, o paciente afirma não ter recebido o devido acompanhamento pós-operatório. O Conselho Regional de Medicina (CRM) abriu uma sindicância para apurar a conduta de Valdir Vilela. O processo, que se inicia na sede do CRM em São Paulo, será posteriormente redistribuído para Ribeirão Preto, onde será conduzida a investigação. A expectativa é de que a apuração seja célere, possivelmente incluindo uma inspeção no local da cirurgia para verificar se o ambiente era adequado para a realização de procedimentos médicos. Ao final, o caso poderá ser encaminhado à Polícia Federal.
Outras Denúncias e Consequências
Na semana passada, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão na casa, no consultório e no gabinete do vereador, resultando na apreensão de documentos. O Conselho Regional de Odontologia (CRO) também abriu um processo ético para investigar o caso. A Câmara de Ribeirão Preto afastou Valdir Vilela do cargo de segundo vice-presidente e instaurou um processo disciplinar para apurar possível quebra de decoro parlamentar. O vereador está de licença e deve retornar às atividades na próxima terça-feira. Sua assessoria de imprensa informou que ele ainda não constituiu advogado para se defender das acusações.
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Desdobramentos do Caso
O presidente do CRM, Eduardo Luiz Bin, classificou a situação como gravíssima, ressaltando que dentistas não podem exercer atividades médicas fora de sua área de competência. Embora dentistas possam realizar alguns tipos de cirurgias e prescrever medicamentos em casos específicos relacionados à sua área de atuação (cavidade bucal e bucomaxilofacial), a operação relatada configura um ato médico irregular e fora da sua formação profissional. As investigações em andamento buscarão esclarecer todos os fatos e determinar as responsabilidades envolvidas.



