Presidente afastado da Câmara Municipal de Ribeirão Preto ficou no Centro de Detenção Provisória
Walter Gomes, ex-presidente da Câmara Municipal de Ribeirão Preto e filiado ao PTB, foi preso preventivamente no CDP de Serrana. A prisão faz parte da terceira fase da Operação Eclipse, desdobramento da Operação Sevandija, que investiga fraudes em licitações, superfaturamento de contratos e desvio de R$ 203 milhões na administração municipal.
Operação Eclipse e ocultação de bens
A Operação Eclipse concentra-se em Walter Gomes, acusado de ocultar bens e obstruir as investigações nos três meses e meio que se seguiram à deflagração da Operação Sevandija, em 1º de setembro. Segundo o promotor Marcel Bombarde, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o parlamentar teria se desfeito de propriedades não registradas em seu nome, utilizando-se de terceiros, sem autorização judicial.
Irregularidades e investigação
As irregularidades começaram a ser notadas já em setembro, quando Gomes foi conduzido coercitivamente à Polícia Federal. Seu depoimento revelou a posse de imóveis – um terreno em um condomínio de luxo em Ribeirão Preto e outro em João Batista do Glória – não declarados à Justiça Eleitoral na eleição deste ano, em que concorreu à reeleição e foi derrotado. Embora a prisão tenha sido solicitada na ocasião, a Justiça a negou. As investigações apontam que Gomes também atrapalhou o processo de cassação contra ele e outros oito vereadores, instaurado pela Comissão de Ética da Câmara. Este processo, concluído com atraso, foi apresentado apenas recentemente, segundo o promotor Bombarde.
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Prisão e próximos passos
A defesa de Gomes, por meio do advogado Júlio Mocinha, nega as acusações. Durante o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão – na casa de Gomes, em residências de familiares e na empresa do vereador – foram apreendidos documentos, veículos e R$ 15 mil em dinheiro. A Justiça irá bloquear os bens registrados em nome de terceiros. Gomes responde pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Vale ressaltar que Gomes ocupou o cargo de vereador em Ribeirão Preto por quase duas décadas, e seu patrimônio cresceu de R$ 283 mil em 2012 para R$ 1 milhão em 2016.



