Suspeita foi levantada após ligação do consulado americano ao gabinete que era ocupado por ele até 2016
Nesta semana completa um mês da prisão do vereador Walter Gomes (PTB), suspeito de receber propina em troca de apoio político ao prefeito Darci Vera. Antes de sua detenção, Gomes pretendia viajar aos Estados Unidos, tendo realizado entrevista no consulado americano para solicitação de visto, em conjunto com sua esposa.
Pedido de visto e suspeita de fuga
A informação sobre o pedido de visto veio à tona por acaso. Um assessor de outro vereador, que ocupa atualmente o gabinete antes usado por Gomes, recebeu uma ligação de uma funcionária do consulado americano que buscava contato com o vereador ou sua esposa para uma nova entrevista sobre o pedido de visto. A funcionária não confirmou nem negou se o visto havia sido concedido, levantando suspeitas de que Gomes planejava fugir do Brasil para evitar as investigações.
Investigações e conversas interceptadas
Walter Gomes é o único vereador preso na Operação Cervandija, acusado de omissão de bens e obstrução à justiça. Conversas interceptadas pela polícia revelam conversas com seus filhos sobre como esconder bens de investigadores, citando imóveis como a construtora Rossi, o Buena Vita, a Casa da Lani e o Jardim Sul. Há menção também à venda de um imóvel para ocultar patrimônio. Outra ligação interceptada mostra uma conversa com sua filha, Gislani, sobre sua contratação em uma escola municipal, com salário inferior ao que ela alegava receber em outra ligação, sem trabalhar.
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Respostas da defesa
O advogado de Walter Gomes, Júlio Moçim, negou ter informações sobre o pedido de visto, alegando que, se houve, se tratava de viagem de lazer. Ele afirmou também que Gomes não possui imóveis fora do Brasil e que todos os seus bens estão bloqueados pela justiça. A construtora Abiyart, proprietária do apartamento de Gomes avaliado em R$ 1,6 milhão, disse não ter sido notificada sobre nenhum bloqueio judicial e que o contrato de Gomes está em dia.



