Ouça a coluna ‘CBN Educação Para a Vida’, com o professor João Roberto de Araújo
Na semana passada, o mundo se despediu do renomado pensador polonês Zygmunt Bauman, aos 91 anos. Filósofo e sociólogo, Bauman ficou conhecido como o pensador da “modernidade líquida”.
A Modernidade Líquida e o Amor Líquido
Em sua obra, Bauman descreve uma sociedade onde os acordos são temporários, válidos apenas “até novo aviso”. Ele utiliza a metáfora da liquidez para explicar as relações fluidas e efêmeras da contemporaneidade. O amor, nesse contexto, torna-se “líquido”, regido pelos padrões do consumo: mantemos um relacionamento enquanto ele nos satisfaz, descartando-o assim que surge uma opção mais atraente. Essa superficialidade afeta a construção de vínculos sólidos e duradouros.
As Consequências da Descartabilidade
A racionalidade moderna, segundo Bauman, prioriza a leveza e rejeita os compromissos duradouros, contribuindo para a fragilidade dos laços afetivos. Embora a flexibilidade e a capacidade de adaptação sejam positivas, a constante mudança inconsistente e superficial gera frustrações e um sentimento de vazio existencial. Tornamo-nos seres em constante falta, buscando incessantemente algo que nos preencha, sem encontrar estabilidade.
Leia também
Educação Emocional como Antídoto
Para contrapor a descartabilidade, é fundamental investir na educação emocional. Precisamos aprender a equilibrar a “água” da transformação e da sensibilidade com a “terra” da estabilidade e do compromisso. Bauman destaca a importância do autoconhecimento e da interioridade, desde a infância e juventude. A educação deve auxiliar na construção de relações amorosas mais conscientes, equilibradas entre paixão e razão, superando a idealização e o utilitarismo presentes em muitos relacionamentos contemporâneos. Devemos ensinar a lidar com a sensibilidade, mas também com a segurança e a estabilidade, buscando o equilíbrio entre os elementos essenciais para relações significativas e duradouras. Seu legado nos convida a refletir sobre a necessidade de construir vínculos mais sólidos e autênticos em um mundo marcado pela efemeridade.



