A importância da educação antirracista e da representatividade negra na infância
A questão da consciência negra é um tema fundamental, especialmente quando se trata de preparar as crianças para a vida e construir uma sociedade mais igualitária. Como podemos educar as crianças, tanto negras quanto não negras, para que cresçam livres de preconceito? Para responder a essa pergunta, conversamos com Paula Oyerinu, psicóloga e representante do Centro Cultural Urmila, uma entidade de promoção da igualdade social.
A Importância da Lei 10.639
Paula destaca a importância da Lei 10.639/2003, que estabelece o estudo da história da África e dos afrodescendentes nas instituições de ensino. Segundo ela, é crucial resgatar histórias de glória e referências positivas, combatendo a narrativa focada apenas na escravidão. “Precisou ter uma lei para obrigar o ensino da história da África na escola, e mesmo assim não é ensinada”, lamenta. Paula atua nas escolas, fomentando uma educação antirracista nas práticas pedagógicas, estimulando os alunos a pensar sobre o passado e respeitar as diferenças.
Empoderamento e Identidade
É essencial abordar o sofrimento causado pelo racismo, especialmente considerando o alto índice de suicídio entre jovens negros. O empoderamento é fundamental para que as crianças negras se reconheçam e se vejam representadas. Paula relata que, mesmo tendo uma base familiar forte, não se via nos livros didáticos quando criança. Trabalhar a Lei 10.639 permite trazer à tona temas como a melanina e as características físicas dos negros, explicando-as sob uma perspectiva científica e cultural.
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Educação para Todos
A educação antirracista deve ser direcionada a toda a sociedade, não apenas à população negra. É importante que pessoas brancas também frequentem espaços como o Centro Cultural Urmila para aprender e desconstruir preconceitos. Crianças não negras muitas vezes repetem o que ouvem em casa, e o ambiente escolar pode ser hostil para os alunos negros, especialmente em escolas particulares. Políticas públicas eficazes e um trabalho multidisciplinar contínuo são essenciais para promover uma mudança real.
A construção de um futuro mais igualitário requer um esforço conjunto, com educação, políticas públicas e conscientização. É preciso mostrar a verdadeira história e empoderar a população negra, combatendo o racismo e promovendo a igualdade de oportunidades.



