A abstenção de cerca de 410 mil eleitores na região de Ribeirão Preto no primeiro turno das eleições foi um dos principais pontos analisados pelo professor e especialista em direito eleitoral Luis Eugênio Scarpino Júnior. Segundo os dados apresentados na cobertura, o índice regional ficou acima da média nacional, enquanto a região também registrou crescimento na representação na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Na disputa pelo governo estadual, Tarcísio foi o candidato mais votado em todas as cidades da área de cobertura e garantiu a eleição no primeiro turno em São Paulo. Na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro e Lula avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Augusto Curi terminou a primeira etapa em terceiro lugar e, após a apuração, afirmou que suas propostas continuam à disposição dos candidatos que permanecem na disputa.
Abstenção
Para Scarpino Júnior, uma região com mais de 1,8 milhão de eleitores tem peso eleitoral significativo, mas isso não necessariamente se transforma em representação política. Segundo ele, a pulverização dos votos entre candidatos de diferentes regiões e a ausência do voto distrital contribuem para esse cenário.
O especialista avaliou que a região poderia ter ampliado ainda mais sua representação caso a abstenção estivesse no nível da média nacional. Ele afirmou que, nesse cenário, seria possível conquistar mais uma cadeira, por exemplo, tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara dos Deputados.
Scarpino também destacou que o índice de abstenção vem se mantendo entre 20% e 22% nos últimos três ou quatro ciclos eleitorais. Para ele, o fenômeno precisa ser discutido entre os períodos eleitorais e pode estar relacionado a fatores como insatisfação política, descrença, falta de representatividade e de informação.
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Segundo o especialista, embora o voto seja obrigatório no Brasil, mais de 77% do eleitorado participa das eleições nacionais. Ele defendeu que a sociedade discuta de forma contínua o papel do Estado e das autoridades eleitas, além das razões que levam parte dos eleitores a não participar da escolha dos representantes.
Representação
Na avaliação de Scarpino Júnior, o resultado das eleições foi positivo para a região sob o ponto de vista da representatividade. Ele destacou que Ribeirão Preto e região ampliaram o peso na Assembleia Legislativa e que os deputados estaduais eleitos podem destinar recursos de emendas parlamentares para equipamentos públicos de saúde, educação e cultura.
O especialista citou Duda Hidalgo, do PT, e Isaac Antunes, do PL, como exemplos de deputados estaduais eleitos com votações expressivas e de linhas ideológicas diferentes. Segundo ele, independentemente da posição partidária, a presença de mais representantes pode contribuir para que as demandas da região sejam consideradas nas políticas públicas.
Ao mesmo tempo, Scarpino chamou atenção para a pulverização dos votos e defendeu que os eleitores cobrem dos candidatos que receberam votos na região uma atuação voltada às demandas locais. Ele afirmou que os parlamentares eleitos representam toda a população e devem olhar para questões relacionadas às cidades da região.
Segundo turno
Com a disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula, o especialista avalia que os votos recebidos pelos candidatos que ficaram fora do segundo turno poderão ser buscados pelas duas campanhas. Segundo ele, as forças políticas devem intensificar a atuação nas ruas e, principalmente, nas redes sociais.
Scarpino também alertou para a necessidade de atenção à qualidade das informações durante a campanha. Ele defendeu que os eleitores busquem meios de comunicação e portais de notícias confiáveis para evitar fake news e desinformação em um cenário de polarização.
O especialista também avaliou que as lideranças políticas de Ribeirão Preto, Franca e das demais cidades da região precisam discutir formas de aumentar o engajamento eleitoral e reduzir a abstenção nas próximas eleições. Para ele, os candidatos eleitos devem prestar contas, ouvir as demandas da população e demonstrar que os votos recebidos resultaram em atuação em favor da região.
Ao final da entrevista, Luis Eugênio Scarpino Júnior, professor e coordenador do curso de Direito da UNAERP e especialista em direito eleitoral, afirmou que o período após a eleição deve ser usado para análise e cobrança dos representantes eleitos.



