Ingo Plöger, vice presidente da ABAG, fala dos principais impactos positivos que as medidas podem trazer
A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) comemorou o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, anunciado oficialmente na semana passada após a reunião dos líderes dos blocos na cúpula do Mercosul em Montevidéu, Uruguai. O acordo foi destaque nos principais jornais internacionais.
Negociação e eliminação de tarifas: Segundo Ingo Plosier, vice-presidente da Abag, o acordo prevê a eliminação de tarifas sobre mais de 80% das importações agrícolas do Mercosul pela União Europeia em até 10 anos. Ele explicou que 90% dos itens comercializados ficarão livres de tarifas aduaneiras, enquanto 10% permanecerão com tarifas, mas estas serão gradualmente reduzidas até zerar, algumas sujeitas a cotas.
Setores beneficiados e futuros impactos
Os setores mais sensíveis, como automotivo, bancário e têxtil para o Mercosul, e carnes, açúcar e etanol para a União Europeia, receberam tratamento especial na negociação. Plosier destacou que o acordo abrirá oportunidades para tecnologias de futuro, combustíveis e têxteis, além de facilitar o intercâmbio tecnológico entre as regiões.
Impactos para produtos brasileiros: Produtos como frutas, suco de laranja, açúcar e etanol terão isenção total ou tarifas reduzidas, sujeitos a cotas. Sobre o impacto nos preços, Plosier afirmou que isso depende da oferta e demanda, e que o comprador europeu decidirá como repassar as vantagens comparativas. Ele ressaltou a importância do acesso ao mercado europeu e da atenção aos produtos brasileiros.
Competitividade e mercado interno: Plosier afirmou que o mercado brasileiro é sofisticado e capaz de absorver a competição gerada pelo acordo, o que deve resultar em redução de preços, aumento da qualidade e melhor serviço para consumidores. Ele citou o exemplo da Cacau Show como demonstração da diversidade e qualidade dos produtos nacionais.
Entenda melhor
O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia é resultado de quase 25 anos de negociações e visa ampliar o comércio bilateral, eliminando tarifas e criando novas oportunidades para ambos os blocos. A assinatura e os trâmites finais ainda não foram divulgados.



