A adesão ao programa Desenrola Brasil registrou forte crescimento na região metropolitana de Ribeirão Preto. Segundo levantamento do Instituto de Economia Maurílio Biagi, da Associação Comercial de Ribeirão Preto (ACRP), o número de operações quase dobrou em apenas um mês, com aumento de 99% nas negociações realizadas.
O volume contratado também cresceu 59% no período, resultado que ficou acima da média nacional. Para especialistas, o programa tem ajudado famílias endividadas a reorganizarem o orçamento, mas a recuperação financeira depende também de mudanças nos hábitos de consumo e maior educação financeira.
Endividamento cresce
De acordo com o economista Lucas Ribeiro, do Instituto de Economia Maurílio Biagi, o programa surgiu em um cenário de aumento da inadimplência e do comprometimento da renda das famílias.
Segundo ele, o endividamento deixou de ser um problema passageiro e passou a ter um caráter estrutural na economia. O economista destaca que fatores como a alta dos juros e a falta de planejamento financeiro contribuem para o cenário atual.
Entre os principais problemas apontados está o uso do crédito para despesas básicas, como compras de alimentos e abastecimento de veículos, além do crescimento de dívidas no cartão de crédito e no cheque especial.
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“O principal benefício do programa do Desenrola é interromper a expansão dessa dívida, reduzir o custo financeiro e criar uma maior previsibilidade para o pagamento por meio de um refinanciamento.”
Dados regionais
O estudo aponta que, até o início de julho, Ribeirão Preto registrou cerca de R$ 22 milhões em dívidas renegociadas, distribuídas em aproximadamente 12 mil operações.
Mais de 11 mil pessoas participaram das renegociações, com valor médio de R$ 1.849 por operação. Segundo Lucas Ribeiro, os valores estão relacionados principalmente a dívidas de consumo, como faturas de cartão de crédito e empréstimos pessoais.
A pesquisa também mostra concentração das contratações nos municípios com maior população e atividade econômica. Ribeirão Preto responde por 52,6% do valor contratado na região, seguida por cidades como Sertãozinho, Mococa e Jaboticabal.
Impacto no comércio
Para o economista, a renegociação das dívidas pode trazer efeitos positivos para o comércio e o setor de serviços, mas essa recuperação deve acontecer de forma gradual.
A expectativa é que, após reorganizar os compromissos financeiros, as famílias voltem a ter maior capacidade de consumo, principalmente no fim do ano.
Apesar do alívio proporcionado pelo programa, Lucas Ribeiro ressalta que o Desenrola Brasil não resolve sozinho o problema do endividamento. Segundo ele, é necessário reduzir o custo do crédito, melhorar a renda e ampliar o acesso à educação financeira.
“O programa oferece um alívio relevante, mas esse alívio pode ser só momentâneo se as condições que geram o endividamento continuarem.”
O economista também alerta para o uso do cartão de crédito, principalmente o rotativo, que pode comprometer uma parcela significativa da renda das famílias e dificultar a recuperação financeira.



