Mesmo durante o inverno, a prevenção contra a dengue precisa continuar. O período de temperaturas mais amenas é apontado por especialistas como uma oportunidade para fazer uma varredura nas casas, eliminar criadouros e evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti nos próximos meses.
A médica infectologista e professora Silvia Fonseca explica que o momento é importante porque o aumento das temperaturas associado às mudanças climáticas pode favorecer a reprodução do mosquito e acelerar o desenvolvimento do vírus dentro do inseto.
Segundo a especialista, o aquecimento influencia diretamente o ciclo do Aedes aegypti. Os ovos, que antes levavam mais tempo para se desenvolver, podem se transformar em novos mosquitos em um período menor com temperaturas mais elevadas.
Alerta climático
A infectologista relaciona o cenário da dengue às mudanças climáticas e ao aumento das temperaturas médias registradas nos últimos anos. Segundo ela, a previsão de um fenômeno El Niño mais intenso pode trazer períodos de mais calor e chuva, condições que favorecem a proliferação do mosquito.
Além disso, o calor acelera o processo de maturação do vírus dentro do Aedes aegypti, fazendo com que o inseto consiga transmitir a doença em menos tempo após picar uma pessoa infectada.
Leia também
A médica destaca que o mosquito precisa de pouca água para se reproduzir e que os criadouros podem estar em locais simples, como tampinhas de garrafas, entulhos, recipientes sem uso e pratos de plantas.
“É por isso que a gente está falando de dengue em julho, porque é a hora de limpar as coisas e não deixar acumular.”
Cenário regional
Ribeirão Preto apresenta atualmente um cenário mais controlado em relação à dengue. Dados do painel de arboviroses do município indicam que, entre 1º de janeiro e 22 de julho de 2026, foram registrados 355 casos confirmados da doença.
A infectologista explica que a dengue costuma apresentar ciclos, com períodos de maior e menor quantidade de casos. Após grandes epidemias, como a registrada em 2024, é comum ocorrer uma redução no ano seguinte, mas isso exige atenção para evitar novos surtos.
Em 2024, o Brasil registrou o maior surto documentado de dengue, com milhões de casos e milhares de mortes, em um período que também coincidiu com aumento das temperaturas.
No mesmo período de 2025, Ribeirão Preto tinha registrado mais de 21 mil casos confirmados e 11 mortes pela doença, número muito superior ao observado neste ano.
Cuidados
Apesar da redução dos casos atuais, a especialista reforça que o combate ao mosquito precisa ser contínuo. Segundo ela, o trabalho feito agora pode evitar um cenário mais grave nos próximos meses, quando as chuvas e o calor aumentam.
A orientação é eliminar qualquer recipiente que possa acumular água parada em quintais, terrenos e áreas externas das residências.
A médica também reforçou a importância da vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária contemplada pela imunização gratuita na rede pública.
Além da dengue, Silvia Fonseca alerta que o aumento das temperaturas pode favorecer outras doenças transmitidas por mosquitos, reforçando a necessidade de prevenção e preparação da população.



