Superlotação do presídio da região de São Carlos e agressões de detentos também foram citadas pelo trabalhadores
Agentes penitenciários da região de São Carlos denunciam condições precárias de trabalho, incluindo superlotação, agressões e falta de reajuste salarial. Um agente, que preferiu não se identificar por medo de represálias, relatou ter sido agredido por detentos, sofrendo perfuração no pulmão.
Agressão e Falta de Amparo
O agente agredido detalhou o ataque: “Alguém chutou meu pé, eu caí no chão. Outros chegaram a me agredir… até que em um certo momento eu devo ter perdido a consciência.” Apesar da gravidade da agressão, o agente alega que o Estado não considerou o incidente como acidente de trabalho, concedendo apenas dois dos três meses de licença médica recomendados. “Queira ou não queira, eu tô tendo que trabalhar ainda até com dor. Que jeito que é isso? Uma pessoa é agredida em serviço e o Estado fala que não foi nada?”, questiona.
Superlotação e Déficit de Agentes
A agressão ocorreu na Penitenciária Joaquim de Silos Cintra, em Casa Branca, que enfrenta um grave problema de superlotação. Projetada para 926 presos, a unidade abriga atualmente 1584 detentos, excedendo sua capacidade em 658. José Carlos Ernesto, diretor regional do sindicato que representa a categoria, aponta também para um déficit de agentes penitenciários. “O número exato de agentes no penitenciário hoje é de 165. Casa Branca hoje tem um déficit de aproximadamente 20 funcionários.” Ernesto explica ainda que a falta de atratividade da função administrativa oficial leva ao desvio de agentes penitenciários para essas funções, agravando o déficit na segurança.
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Sentimento de Abandono e Consequências da Superlotação
Outro agente, que também preferiu permanecer anônimo, destaca que a superlotação aumenta o risco de agressões. “Quando há unidades superlotadas, os problemas com merenda e a superlotação crescem também. Escassez de atendimento, escassez de remédio, escassez de judiciário… e isso geralmente o preso não quer saber e desconta tudo no funcionário.” Os agentes relatam um sentimento de abandono por parte do Estado. “A gente tem menos valor do que quem está preso, porque quem está preso acaba tendo um apoio maior do que quem trabalha para o próprio Estado.”
Diante das denúncias, a Secretaria de Administração Prisional informou, por meio de nota, que as alegações do sindicato não procedem e que a penitenciária opera dentro das normas de segurança e disciplina estabelecidas. A Secretaria afirma manter um diálogo constante com os sindicatos para atender as demandas dos funcionários e que o Estado investe continuamente na ampliação e modernização do sistema prisional.



