Ouça o primeiro bloco do programa deste sábado (11)
Neste sábado, o programa Almanaque CBN debateu a situação da mulher na sociedade brasileira, a partir de declarações polêmicas do presidente Michel Temer sobre o papel feminino no lar. O programa contou com a participação do sociólogo Vlaumir Souza, da advogada Luciana Remoli (presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher) e da psicóloga e coach Roberta Scatena.
A Visão de Luciana Remoli: Uma Questão de Escolha
Luciana Remoli abordou as declarações de Temer sobre o papel da mulher no ambiente doméstico, destacando a importância da escolha individual. Para ela, a estrutura familiar se fortalece com uma mulher forte, seja ela no lar ou no mercado de trabalho. A decisão de priorizar a vida doméstica não significa inferioridade, mas sim uma escolha pessoal que deve ser respeitada.
A Perspectiva de Roberta Scatena: A Necessidade de Equilíbrio
Roberta Scatena focou na sobrecarga que as mulheres enfrentam ao conciliar trabalho e tarefas domésticas. Ela defendeu a importância da participação igualitária do homem nos afazeres domésticos e na criação dos filhos, para que haja um equilíbrio entre as responsabilidades e um convívio familiar mais harmonioso. A psicóloga acredita que a sociedade caminha para uma divisão mais justa de tarefas, mas reconhece que o processo é lento.
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Análise de Vlaumir Souza: Um Projeto Político de Retrocesso
Vlaumir Souza analisou as falas de Temer como reflexo de um projeto político conservador que busca manter a mulher em um papel tradicional e submisso. Ele relacionou as declarações com outros movimentos de retrocesso dos direitos da mulher, tanto no Brasil quanto no exterior. O sociólogo destacou a importância do feminismo na luta pela igualdade de gêneros, tanto no espaço público quanto no privado, e a necessidade de desconstrução do machismo.
O programa também contou com a participação de Marcella Rezende, especialista em políticas públicas, que apresentou dados do IBGE e do Ipea sobre a jornada de trabalho das mulheres, mostrando a sobrecarga de responsabilidades e a desigualdade salarial. A discussão abordou a importância da participação do Estado na promoção da igualdade de gênero e os desafios para alcançar uma sociedade mais justa e equitativa. A complexidade do tema e a necessidade de uma mudança cultural profunda foram os pontos centrais do debate, que reforçou a importância da conscientização e da luta contínua por direitos iguais para mulheres.



