O aumento no preço dos combustíveis, especialmente do diesel, já começa a impactar diretamente os preços de produtos nos supermercados de Ribeirão Preto e região. Utilizado no transporte de mercadorias, o diesel tem efeito direto sobre o custo do frete e, consequentemente, sobre o valor final dos itens nas prateleiras.
Apesar de muitos consumidores já perceberem reajustes em alguns produtos, o setor supermercadista ainda tenta segurar parte desses aumentos. No entanto, a pressão nos custos de reposição vem crescendo nas últimas semanas, o que deve resultar em novos repasses ao consumidor nos próximos dias.
Impacto direto
O reflexo mais imediato da alta do diesel aparece em produtos que dependem de transporte de longa distância. É o caso do arroz, que chega majoritariamente do Sul do país, além de itens como óleo de soja e leite, que também apresentam elevação nos custos de reposição.
Segundo o gerente de supermercado entrevistado, o valor pago atualmente pelos produtos já supera, em alguns casos, o preço praticado nas vendas. Mesmo assim, o repasse ao consumidor ainda ocorre de forma gradual, enquanto o setor tenta equilibrar custos e manter o giro de estoque.
Outro ponto de destaque são as frutas, especialmente aquelas vindas do Nordeste, como melão, mamão e uva. Por dependerem de fretes mais longos, esses itens já apresentam aumento nos preços, ainda que de forma moderada em comparação com o custo enfrentado pelos supermercados.
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Dificuldades logísticas
Além da alta nos preços, o setor também enfrenta desafios na logística. Há relatos de dificuldade para encontrar veículos disponíveis para transporte, o que tem causado atrasos nas entregas e aumento no valor do frete. Apesar disso, até o momento não houve interrupção no abastecimento. O principal impacto tem sido o custo mais elevado para garantir a chegada dos produtos, o que reforça a tendência de repasse desses valores ao consumidor. A incerteza sobre a disponibilidade e o preço do combustível também contribui para um cenário de instabilidade, dificultando o planejamento das compras e reposições por parte dos supermercados.
Pressão no consumo
O aumento dos custos ocorre em um momento em que havia expectativa de estabilidade ou até redução de preços, impulsionada por boas condições de safra. No entanto, a alta do diesel, que já acumula mais de 20%, altera esse cenário e pressiona a inflação dos alimentos.
Supermercados ainda tentam segurar reajustes para não impactar diretamente o consumidor, mas admitem que há limite para essa estratégia. Com margens apertadas, o repasse se torna inevitável ao longo do tempo. O efeito é mais sentido nos itens básicos do dia a dia, o que pesa especialmente para consumidores de renda mais baixa, que têm menor capacidade de absorver aumentos nos preços de alimentos essenciais.



