Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (Cepea) aponta que este é o maior valor da história
Produtores de café na região de Franca, Alta do dólar faz a saca, São Paulo, enfrentam uma expressiva quebra na safra deste ano, causada principalmente por condições climáticas adversas, como a seca severa e incêndios. A produção foi afetada em até 40% em algumas áreas, com perdas que podem chegar a 100% para produtores sem irrigação.
Impactos climáticos na produção: O estresse hídrico prolongado prejudicou o pegamento das flores do café, resultando em uma florada que não se desenvolveu adequadamente. Segundo Ricardo de Limandrade, diretor de negócios de uma cooperativa local, as temperaturas médias ficaram cerca de 2 graus acima do normal, o que impacta negativamente a produtividade das plantas. As perdas estimadas na produção chegam a até 20%, e os efeitos devem ser sentidos também na safra de 2025.
Preços e mercado internacional: Apesar da queda na produção, o preço da saca de café arábica ultrapassou R$ 2.000,00, um valor histórico. O levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) da USP indica que, em novembro, o preço variou 37% dentro do mês, saindo de R$ 1.540,00 para mais de R$ 2.000,00. A valorização é influenciada pela cotação do dólar em alta e pelo mercado financeiro internacional, com preços referenciados pela bolsa de Nova York.
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Exportação e impacto para produtores
Quase 80% do café produzido na região é destinado à exportação. Gabriel Lancho Oliveira, diretor comercial de uma empresa produtora em Cristais Paulista, destaca que os produtores que ainda possuem grãos para vender podem obter bons resultados financeiros, embora a maioria já tenha comercializado sua produção para quitar dívidas. A alta dos preços, portanto, não beneficia todos os agricultores igualmente.
Entenda melhor
O aumento no preço do café no mercado interno reflete a combinação da menor oferta devido às perdas na safra e a valorização do produto no mercado internacional. Consumidores já sentem o impacto no preço final, o que tem levado a mudanças no consumo, como a redução da quantidade adquirida.



