A escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos provocou uma forte alta no preço internacional do petróleo, que chegou a subir cerca de 30% nesta segunda-feira (9). O movimento no mercado global já começa a refletir nos combustíveis no Brasil, com aumento observado em gasolina, diesel e etanol.
Na semana passada, o Núcleo Postos e Serviços de Ribeirão Preto já havia alertado para um aumento inicial de cerca de cinco centavos nos preços da gasolina e do diesel. Levantamentos recentes em postos da região de Ribeirão Preto indicam que o etanol também passou a subir, com reajustes entre cinco e dez centavos por litro.
Na última semana de fevereiro, o preço médio do etanol estava em torno de R$ 4,45. Já no início de março, passou a variar entre R$ 4,47 e R$ 4,50, segundo monitoramento do setor. De acordo com o consultor de agronegócios José Luis Coelho, a instabilidade geopolítica tem impacto direto no preço da commodity.
Segundo ele, o mundo produz e consome cerca de 105 milhões de barris de petróleo por dia, concentrados principalmente em três regiões: o Oriente Médio, os Estados Unidos e a Rússia. E grande parte do petróleo comercializado internacionalmente passa pelo estratégico Estreito de Ormuz, corredor marítimo, onde transitam cerca de 20% da produção mundial e metade de todo o petróleo negociado globalmente. Caso a rota seja bloqueada por causa do conflito, o impacto no abastecimento global pode ser imediato.
O barril do petróleo do tipo Brent crude oil vinha oscilando entre US$ 60 e US$ 65 nos últimos anos. Com a escalada das tensões no Oriente Médio, a cotação já ultrapassou US$ 117, podendo continuar subindo dependendo da evolução do conflito.
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Efeito no agronegócio
A alta do diesel também preocupa o setor agrícola, que depende do combustível para operar máquinas e transportar produção. Segundo especialistas, o diesel pode representar até 40% do custo operacional em algumas atividades do agronegócio.
Isso afeta diretamente:
- Colheita de grãos
- Transporte de alimentos
- Produção de etanol
- Logística de exportação
Além disso, a eventual interrupção de rotas marítimas pode dificultar o envio de commodities para a Ásia, principal mercado consumidor de carnes e grãos brasileiros.
Autossuficiência relativa
Apesar de produzir cerca de 4 milhões de barris de petróleo por dia, o Brasil consome aproximadamente 2,5 milhões. Segundo especialistas, o país ainda depende de importações de petróleo de melhor qualidade para refino, o que limita a autonomia completa no abastecimento de combustíveis.
Com o cenário internacional incerto, economistas alertam que novos aumentos nos combustíveis podem ocorrer nas próximas semanas, dependendo da evolução das tensões no Oriente Médio.



