Só a gasolina impactou com um reajuste de 1,90%; IPCA-15 fechou o período com aumento de 0,44%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), Alta dos combustíveis impulsiona a prévia da inflação do mês de maio, prévia da inflação oficial do Brasil, registrou alta de 0,44% em maio, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em comparação, no mesmo mês do ano anterior, o índice havia sido de 0,51%. Os principais grupos que influenciaram essa aceleração foram saúde e cuidados pessoais, com aumento de 1,7%, e transportes, que subiu 0,77%, impulsionado principalmente pela alta nos preços da gasolina, que chegou a quase 2%.
Preços dos combustíveis em Ribeirão Preto
De acordo com o último levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado na semana anterior, os preços médios dos combustíveis em Ribeirão Preto apresentaram variações significativas. O litro do diesel custava em média R$ 5,94, chegando a R$ 6,49 em alguns postos. A gasolina média estava em R$ 5,81 por litro, com picos de até R$ 6,19. Já o etanol tinha preço médio de R$ 3,86, alcançando R$ 4,09 em determinados estabelecimentos.
Impactos climáticos e safras na composição dos preços: Em entrevista à CBN, Flávio Navarro, diretor de assuntos institucionais do Sindicato Brasileiro das Distribuidoras de Combustíveis, explicou que, apesar de a gasolina derivada do petróleo não ter sofrido reajustes nas refinarias, os preços dos combustíveis foram afetados pelos insumos que compõem os produtos vendidos nos postos. Segundo Navarro, as fortes chuvas recentes em São Paulo e outras regiões do Brasil prejudicaram a colheita da cana-de-açúcar, principal matéria-prima para o etanol anidro misturado à gasolina, além da soja, base para o biodiesel, que compõe cerca de 12% do diesel.
Essas condições climáticas adversas dificultaram o transporte da cana até as usinas, impactando a produção e distribuição do etanol anidro, do etanol hidratado e do biodiesel. Navarro ressaltou que, embora a Petrobras não tenha promovido aumentos nos preços da gasolina e do diesel nas refinarias nos últimos seis a sete meses, os custos dos insumos agrícolas elevaram os preços finais ao consumidor nas últimas duas semanas, tendência que deve permanecer no curto prazo.
Perspectivas para os preços dos combustíveis: Navarro afirmou que, com o término do período de chuvas e a chegada do frio, espera-se a normalização das colheitas de cana-de-açúcar e soja, o que deve regularizar a oferta das usinas para as distribuidoras. Com isso, os preços dos combustíveis devem retornar aos níveis típicos da safra. Ele destacou que, apesar de uma leve alta recente, o preço do etanol permanece atrativo, pois as usinas estão repondo seus estoques no início da safra.
O diretor também explicou que é comum as usinas acumularem estoques durante a safra para vender na entressafra, quando os preços costumam subir, chegando a R$ 4,50 nas bombas em Ribeirão Preto. Essa estratégia visa equilibrar a oferta e a demanda ao longo do ano.
Alta de preços no Rio Grande do Sul e preocupações éticas
Navarro comentou ainda que, no Brasil, houve uma alta média de 1,9% nos preços dos combustíveis, com destaque para o Rio Grande do Sul, onde a gasolina subiu 7%. Tentativas de contato com distribuidores da região indicaram que eles não repassaram oficialmente esse aumento. No entanto, segundo o diretor, muitos empresários locais, diante da escassez de oferta, estariam vendendo gasolina com preços até R$ 1,00 acima do valor usual, aproveitando-se da situação delicada enfrentada pela população devido a incêndios florestais na região.
Navarro expressou preocupação com essa prática, que considera prejudicial à sociedade e contrária à ética empresarial. Ele afirmou que o sindicato não compactua com tais ações e espera que órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, atuem para coibir abusos e aplicar sanções aos responsáveis. O diretor ressaltou a importância da solidariedade em momentos de crise e lamentou o aproveitamento da situação por parte de alguns empresários.
Informações adicionais
O IPCA-15 é um indicador utilizado como prévia da inflação oficial do país, medindo a variação dos preços ao consumidor em um período específico. A composição dos combustíveis vendidos nos postos inclui gasolina, etanol anidro (misturado à gasolina) e biodiesel (misturado ao diesel), cujos preços são influenciados por fatores climáticos, safras agrícolas e políticas de preços das refinarias. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) realiza pesquisas semanais para monitorar os preços praticados nos postos de combustíveis em todo o país.



