A ansiedade faz parte do desenvolvimento infantil e pode surgir em situações comuns, como a expectativa por aniversários, viagens ou eventos especiais. No entanto, segundo o médico e professor da USP, Dr. Ivan Savioli Ferraz, o sinal de alerta aparece quando esse sentimento começa a comprometer a rotina da criança, afetando o convívio social, o desempenho escolar e até a dinâmica familiar. Entre os principais indícios estão recusa em ir à escola, medo excessivo de separação dos pais, isolamento social e sintomas físicos como dor de cabeça, dor de barriga e vômitos.
O especialista destaca que os transtornos mentais em crianças e adolescentes vêm crescendo de forma expressiva no Brasil e no mundo. Dados recentes indicam que a prevalência, que girava em torno de 12,5% na década de 2010, hoje já se aproxima de 20% no país, o equivalente a uma em cada cinco crianças ou adolescentes. Entre os fatores associados a esse aumento estão os impactos da pandemia, o uso excessivo de telas, a pressão por desempenho, a hiperconectividade e o cyberbullying, que ampliam a vulnerabilidade emocional dos jovens.
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar agravamentos, como quadros depressivos e, em casos extremos, risco de autolesão ou suicídio. O tratamento, em geral, envolve uma abordagem multidisciplinar, com acompanhamento de pediatras, psicólogos e psiquiatras infantis, quando necessário.
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