A mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina vai subir de 30% para 32% a partir desta quarta-feira (24). O anúncio foi feito pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e ocorre em meio à expectativa do setor de biocombustíveis, que aguarda há meses a ampliação da participação do etanol na composição da gasolina.
A medida tem como objetivo aumentar o uso de combustível renovável e pode impactar diretamente a cadeia de distribuição de combustíveis no país. A mudança ainda depende de avaliação do Conselho Nacional de Política Energética, que tinha reunião prevista para discutir o tema.
Impacto
Segundo o presidente do Núcleo de Postos de Ribeirão Preto e região, Fernando Rocca, a tendência é que a maior presença de etanol na mistura reduza o custo da gasolina ao longo da cadeia, já que o biocombustível tem valor inferior ao derivado do petróleo.
Ele explica que o efeito para o consumidor final depende do repasse das distribuidoras aos postos. Caso a redução seja repassada, o preço nas bombas pode cair, especialmente em um momento de safra favorável da cana-de-açúcar e maior oferta de etanol.
Produção
Com o aumento de 2 pontos percentuais na mistura, a demanda por etanol pode crescer de forma significativa, com estimativa de até 1 bilhão de litros adicionais incorporados à gasolina.
Apesar disso, o setor avalia que o preço do etanol tende a permanecer estável, já que a produção de cana-de-açúcar deve atingir níveis elevados neste ano. O cenário de safra recorde pode ajudar a equilibrar oferta e demanda.
Preços
Dados do setor indicam que o preço médio do etanol em Ribeirão Preto está atualmente em cerca de 60% do valor da gasolina, abaixo da paridade de 70%, o que torna o combustível mais vantajoso para veículos flex.
Segundo o representante do setor, a variação de preços entre postos e cidades da região pode chegar a até 50 centavos por litro, reforçando a importância da pesquisa por parte do consumidor antes do abastecimento.
Mercado
O setor também destaca que a cadeia de combustíveis ainda depende da distribuição intermediada, com envio das usinas para distribuidoras antes de chegar aos postos, o que inclui custos de frete e impostos.
Apesar de discussões sobre a venda direta de etanol das usinas para os postos, o modelo atual ainda mantém a estrutura tradicional de distribuição no país.



