Oitava manutenção seguida do Comitê de Política Monetária fez a taxa continuar em 14,25% ao ano
A recente decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 14,25% ao ano, o patamar mais alto em 10 anos, gerou debates e análises no cenário econômico. A CBN Economia, mesmo sem a participação de Nelson Rocha Augusto, repercutiu a decisão, buscando a opinião do economista e professor da USP Ribeirão, Alberto Borges Matias.
O Contexto da Decisão
A manutenção da taxa Selic ocorre em um momento em que o presidente interino Michel Temer havia expressado o desejo de um corte nos juros, visando impulsionar a economia. No entanto, Temer reconheceu a autonomia do Banco Central para tomar a decisão. A definição da taxa de juros pelo Banco Central é baseada na avaliação das condições econômicas e, principalmente, na taxa de inflação.
Análise da Inflação e da Taxa de Juros
Segundo o professor Alberto Borges Matias, há uma tendência natural de declínio da taxa de inflação, impulsionada pela ausência de elevações abruptas nos serviços públicos, como energia elétrica e água. Ele argumenta que a taxa de inflação deve se concentrar em alimentos e outros produtos, convergindo para patamares mais aceitáveis. Matias critica a manutenção da taxa Selic em níveis tão elevados, considerando-a inconsistente e prejudicial ao desenvolvimento do país. Ele ressalta que a inflação corrente, embora ainda elevada (8,84% em 12 meses até junho), está distante da meta de 4,5% para o próximo ano.
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O Impacto da Taxa de Juros na Economia
O economista argumenta que a manutenção de juros altos, em um cenário recessivo, pode ter um efeito inverso, fomentando o aumento de preços. Ele explica que a queda na produção em diversos setores aumenta o custo fixo unitário das indústrias, que são forçadas a repassar esses custos aos consumidores. Matias critica a ideia de um Banco Central totalmente independente, argumentando que essa independência pode significar dependência do mercado, o que seria prejudicial.
A análise do professor Matias oferece uma perspectiva crítica sobre a política monetária atual e seus possíveis impactos na economia brasileira.



