O consumo de café no varejo brasileiro cresceu 2,3% entre janeiro e agosto de 2026, após uma queda registrada no ano passado em meio aos preços elevados. No Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro, o setor volta a ganhar destaque também pelas mudanças no comportamento dos consumidores e pela busca por novas formas de consumo.
Segundo o barista Éder Garcia, o mercado passa por uma nova onda, marcada principalmente pelo crescimento do café gelado. A mudança ocorre especialmente entre os consumidores mais jovens, que também têm buscado alternativas às bebidas alcoólicas.
Além do café gelado, a busca por inovação tem levado à criação de diferentes bebidas, como combinações de café com água com gás e com suco de laranja.
Novos hábitos
O café continua presente na rotina dos brasileiros, seja no café da manhã, no intervalo do trabalho ou em momentos de convivência e pausa. Mesmo quando os preços aumentam, segundo Éder, o consumidor pode reduzir o consumo, mas não deixa de beber café.
O barista destaca ainda que o café é a segunda bebida mais consumida no mundo, atrás apenas da água. Para ele, a procura permanece elevada mesmo diante das oscilações do mercado.
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A mudança de comportamento também aparece em novos formatos de consumo. De acordo com Éder, cafeterias na Europa já promovem festas pela manhã, e o modelo chegou ao Brasil. Em São Paulo, há estabelecimentos que realizam eventos com DJs a partir das 8h.
Clima e preços
O impacto das condições climáticas é apontado pelo barista como um dos principais fatores que interferem na produção e, consequentemente, nos preços do café. Períodos de calor intenso podem reduzir a produtividade dos cafezais.
As chuvas fortes e a ocorrência de granizo também podem provocar prejuízos. Segundo Éder, quando uma plantação de café é atingida por granizo, pode ser necessário cortar o pé e esperar até dois anos para que ele volte a crescer.
O cenário internacional também interfere no mercado. O Vietnã, citado pelo barista como o terceiro maior produtor de café do mundo, pode influenciar os preços caso enfrente uma crise climática ou outros fatores que afetem a produção. Segundo Éder, os preços são definidos pela bolsa de Nova York.
Tecnologia
A busca por cafés de maior qualidade também exige mais cuidados durante a produção. De acordo com Éder, processos como classificação, separação dos grãos, secagem e torra interferem diretamente no resultado final e elevam os custos.
Na produção, a tecnologia tem ampliado a capacidade e a precisão dos equipamentos. O barista cita como exemplo uma empresa em que trabalhava, onde cinco torradores produziam 300 quilos em meia hora. Atualmente, um único equipamento consegue torrar 700 quilos em 15 minutos e é operado por apenas um funcionário.
Segundo ele, a automação reduz a possibilidade de erros no processo e ajuda a controlar o ponto de torra. Para o barista, a inovação está presente em toda a cadeia, desde o plantio e a produção até restaurantes e cafeterias.
“Eu diria que é inovação em tudo. Desde o plantio tem que ter inovação. Inovação na produção, inovação pro dono de restaurante, dono de cafeteria. Se você ficar parado, você vai se perder.”
Éder afirma ainda que o mercado atende diferentes perfis de consumidores e que cada produto precisa ser direcionado ao público correspondente.



