CBN Ribeirão 90,5 FM
Colunistas
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe

Câmara de Ribeirão Preto aprova lei que restringe funcionamento de adegas e tabacarias

Sessão foi marcada por protestos de comerciantes que apontam regra como uma punição generalizada aos estabelecimentos
Câmara de Ribeirão Preto aprova lei
Sessão foi marcada por protestos de comerciantes que apontam regra como uma punição generalizada aos estabelecimentos

Sessão foi marcada por protestos de comerciantes que apontam regra como uma punição generalizada aos estabelecimentos

Na segunda-feira, a Câmara Municipal de Ribeirão Preto aprovou um projeto de lei que restringe o horário de funcionamento de adegas e tabacarias na cidade. A nova legislação determina que esses estabelecimentos poderão funcionar de segunda a sexta-feira, Câmara de Ribeirão Preto aprova lei, das 8h às 22h; aos sábados, das 9h às 22h; e aos domingos, das 10h às 18h, encerrando o funcionamento até a madrugada.

O projeto define adegas como estabelecimentos comerciais destinados à venda de bebidas alcoólicas para consumo fora do local, Câmara de Ribeirão Preto aprova lei, e tabacarias como locais que vendem produtos derivados do tabaco e acessórios relacionados.

Motivações para a aprovação: O autor do projeto, vereador e delegado Eduardo Martinez, justificou a proposta afirmando que esses estabelecimentos têm sido associados a práticas ilegais, como o comércio e consumo de entorpecentes, venda de bebidas alcoólicas para menores, além de denúncias frequentes de poluição sonora e perturbação da ordem pública. Ele destacou que o funcionamento até altas horas da madrugada prejudica o direito das famílias ao silêncio e descanso noturno.

O projeto permite que a prefeitura autorize a prorrogação do horário mediante requerimento fundamentado que atenda às exigências legais. O descumprimento das regras acarretará multa e, em caso de reincidência, suspensão temporária do alvará de funcionamento.

Reação dos comerciantes e entidades

Donos de adegas e tabacarias protestaram contra a lei, alegando que são injustamente penalizados por problemas causados por terceiros, como a falta de segurança pública. Lucas Gabriel dos Santos, proprietário de uma adega no Jardim Paineiras, afirmou que as reclamações decorrem da insuficiência de guardas municipais e que os comerciantes não devem arcar com essa responsabilidade.

O Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (Sincovarpe) também manifestou oposição ao projeto. André Regende, representante do sindicato, argumentou que a medida fere a livre atividade comercial, a liberdade econômica e o direito do consumidor, defendendo maior critério e diálogo na elaboração da lei.

Posicionamentos na Câmara: Durante a sessão, vereadores se posicionaram tanto a favor quanto contra o projeto. Miller (PT) e André Rodine (Novo) criticaram a restrição seletiva, alegando que ela viola princípios de isonomia e impessoalidade, e mencionaram a Lei da Liberdade Econômica de 2019, que permite o exercício de atividades econômicas em qualquer horário, salvo regulamentação municipal que não infrinja leis estaduais ou federais.

Por outro lado, o líder do governo na Câmara, Lincoln Fernandes, defendeu a aprovação, ressaltando que o projeto visa oferecer mais segurança e tranquilidade à população, além de permitir flexibilização dos horários para estabelecimentos que comprovem atuação responsável.

A proposta foi aprovada por 13 votos a favor e 4 contra, e aguarda sanção do prefeito Ricardo Silva.

Análise e comentários: O comentarista Bruno Silva destacou que a decisão é polêmica, pois envolve o equilíbrio entre a legítima preocupação da sociedade com perturbações no entorno desses estabelecimentos e o impacto econômico para os comerciantes. Ele apontou que a solução adotada pelo Legislativo foi restringir o horário de funcionamento para reduzir aglomerações e problemas nas adjacências.

Bruno Silva sugeriu que a prefeitura intensifique a fiscalização para evitar que os problemas ocorram, e que o projeto poderia ter sido mais específico, com diagnóstico detalhado e diálogo com os comerciantes antes da votação, inclusive por meio de audiência pública.

Ele comparou a situação a outras medidas públicas que restringem atividades para conter problemas sociais, ressaltando a importância de encontrar um meio-termo que preserve a atividade econômica sem prejudicar a ordem pública.

Dados sobre o custo da Câmara de Ribeirão Preto

Em outra pauta, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo divulgou levantamento que aponta que a Câmara Municipal de Ribeirão Preto tem o menor custo per capita entre municípios de porte semelhante no estado, com gasto de R$ 70,21 por habitante. Cidades como São José dos Campos, Santo André, Sorocaba e Osasco apresentam custos superiores, variando de R$ 92,45 a R$ 121,68.

O comentarista ressaltou que essa diferença pode estar relacionada ao custo de vida mais baixo no interior do estado, mas alertou para a necessidade de analisar a eficiência dos gastos e evitar cortes que prejudiquem a qualidade dos serviços legislativos.

Atualmente, a Câmara de Ribeirão Preto é composta por 22 vereadores, 83 servidores efetivos e 108 cargos comissionados, atendendo uma população estimada em cerca de 729 mil habitantes.

Entenda melhor

O projeto de lei aprovado restringe o horário de funcionamento de adegas e tabacarias para reduzir impactos negativos como poluição sonora e perturbação da ordem pública, mas enfrenta críticas por afetar a liberdade econômica e penalizar comerciantes que não são responsáveis diretos pelos problemas.

Conteúdos

Reportar um erro

Comunique à equipe do Portal da CBN Ribeirão Preto, erros de informação, de português ou técnicos encontrados neste texto.