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Câncer de ovário desafia diagnóstico precoce e preocupa em Ribeirão Preto

Doença é uma das mais letais entre mulheres no município e campanha de maio reforça importância da conscientização
Câncer
Designs feitos por Panuwat Dangsungnoen de Getty Images

O mês de maio é marcado por ações de conscientização sobre o câncer de ovário, uma doença que ainda enfrenta desafios importantes, principalmente no diagnóstico precoce. Em Ribeirão Preto, o cenário preocupa: na última década, foram registradas 215 mortes, colocando esse tipo de câncer como o quinto mais letal entre as mulheres no município.

Segundo o médico oncologista Diocésio Andrade, o quadro local acompanha uma tendência nacional. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que o Brasil deve registrar mais de 8 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, mantendo a doença entre as mais incidentes na população feminina.

Diagnóstico difícil

De acordo com o oncologista Dioésio Andrade, um dos principais entraves no combate ao câncer de ovário é a ausência de métodos eficazes de rastreamento. Diferentemente de outros tipos de câncer, como o de colo do útero, não há exames de rotina capazes de identificar precocemente a doença.

Além disso, o câncer de ovário costuma ser silencioso. Os sintomas, quando aparecem, são inespecíficos, como aumento do volume abdominal, infecções urinárias recorrentes e dores abdominais vagas, o que dificulta a suspeita inicial. Em muitos casos, o diagnóstico ocorre de forma tardia, quando a doença já está em estágio avançado.

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O médico destaca que exames como o ultrassom transvaginal podem ajudar na detecção precoce, mas não são indicados como rotina, sendo solicitados conforme a avaliação clínica e sintomas apresentados pela paciente.

Fatores de risco

Outro ponto de atenção é o fator genético. Segundo Dioésio Andrade, o câncer de ovário é o tumor ginecológico com maior risco hereditário. Cerca de 20% dos casos têm histórico familiar, relacionados principalmente às mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.

Nesses casos, é fundamental que pacientes diagnosticadas sejam encaminhadas para avaliação genética, permitindo o rastreamento em familiares e a adoção de medidas preventivas. Dependendo do risco, pode ser indicada até a retirada preventiva de ovários e mamas.

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A doença é mais comum em mulheres acima dos 50 anos, especialmente no período pós-menopausa. Casos em pacientes mais jovens são raros e, geralmente, associados a histórico genético relevante.

Prevenção e alerta

Mesmo sem exames de rastreamento específicos, a principal recomendação médica é manter o acompanhamento regular com o ginecologista. Consultas anuais e atenção a sintomas, ainda que leves, podem contribuir para um diagnóstico mais precoce.

O avanço da medicina também tem ampliado as possibilidades de tratamento. Segundo o especialista, novas terapias, como os inibidores de PARP, têm melhorado o prognóstico, inclusive em casos diagnosticados tardiamente.

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