O combate à violência contra a mulher em Ribeirão Preto ganhou um novo reforço com o lançamento de uma cartilha digital que reúne serviços de acolhimento, orientação e apoio para mulheres em situação de vulnerabilidade. O material foi desenvolvido pelo Núcleo de Justiça Restaurativa da cidade para facilitar o acesso da população e da rede de proteção aos programas disponíveis.
Segundo a juíza titular da 2ª Vara de Violência Doméstica de Ribeirão Preto e coordenadora do núcleo, Daniele Regina de Souza Duarte, o guia foi criado para ampliar o conhecimento da comunidade sobre os serviços oferecidos e também fortalecer a articulação entre os profissionais que atuam no enfrentamento da violência doméstica.
Acolhimento imediato
Entre os principais programas listados na cartilha está o Aurora, serviço de acolhimento realizado dentro da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ribeirão Preto. O atendimento é de porta aberta, ou seja, toda mulher que procurar a delegacia pode ser acolhida imediatamente por facilitadoras da Justiça Restaurativa.
Essas profissionais passaram por formação específica pela Escola Paulista da Magistratura e realizam escuta qualificada, acolhimento emocional, orientação e encaminhamento para outros serviços da rede de proteção. O trabalho também inclui acompanhamento da vítima após o registro da ocorrência.
Outro serviço destacado é o Efêmera, voltado ao acolhimento psicológico online. A proposta é oferecer atendimento de forma discreta e reservada, permitindo que mulheres em situação de violência recebam suporte emocional e orientação jurídica, além de ajuda para compreender o chamado ciclo da violência.
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Trabalho
A Justiça Restaurativa também desenvolve programas voltados aos autores de violência doméstica. A proposta não substitui a responsabilização criminal, mas busca atuar na transformação de comportamento e na prevenção da reincidência.
Um desses projetos é o Restaurar, destinado a homens que receberam medidas protetivas. Eles participam de audiências coletivas e grupos reflexivos em parceria com a Defensoria Pública, Ministério Público e Tribunal de Justiça, onde são orientados sobre as consequências legais do descumprimento das medidas.
Outro programa é o Amarelos, voltado a homens que já descumpriram medidas protetivas. Nessas atividades, são discutidos temas como masculinidade, patriarcado, comunicação não violenta e relações familiares, com o objetivo de romper padrões de comportamento agressivo.
Números alarmantes
Os dados apresentados pelo núcleo reforçam a gravidade do cenário em Ribeirão Preto. Apenas até junho deste ano, já foram concedidas mais de 1.070 medidas protetivas no município.
Além disso, o projeto Aurora realizou o acolhimento de 671 mulheres em 2026. Para a magistrada, esses números mostram que a violência doméstica continua sendo um problema estrutural e exige atuação conjunta da Justiça, da rede de proteção e da sociedade.
A cartilha com todos os serviços, telefones e canais de atendimento está disponível no site da Justiça Restaurativa de Ribeirão Preto: justicarestaurativarp.com.br.



