Mais de 70% dos brasileiros não realizam exames de rotina com regularidade, o que dificulta o diagnóstico precoce de doenças evitáveis. O alerta é reforçado pelo médico nutrólogo Nelson Iucif Júnior, que destaca a importância do check-up como ferramenta de prevenção e promoção da saúde, especialmente no início do ano.
Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, o especialista explicou que o check-up não deve ser entendido como um pacote fixo de exames, mas como uma avaliação médica individualizada, baseada no histórico pessoal, familiar e na fase da vida de cada paciente.
Avaliação médica
Segundo o médico, o check-up deve começar a partir da vida adulta, com a procura por um clínico geral ou médico de família. Caso não sejam identificados problemas, as consultas podem ocorrer em intervalos maiores, entre dois e três anos. Já pacientes com doenças pré-existentes precisam de acompanhamento mais frequente.
O especialista ressalta que a medicina moderna não recomenda exames em excesso para todos os pacientes. A orientação atual, adotada inclusive pelo Ministério da Saúde, é de que a avaliação preventiva seja personalizada, com exames direcionados conforme as necessidades individuais.
Exames preventivos
Com o avanço da idade, passam a ser indicados exames específicos. Mulheres devem realizar exames como Papanicolau e mamografia, enquanto homens, a partir dos 45 ou 50 anos, precisam iniciar a avaliação prostática. Em idades mais avançadas, entram exames relacionados à osteoporose e outras condições associadas ao envelhecimento.
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Além disso, o histórico familiar pode antecipar investigações. Doenças como hipertensão, diabetes, problemas cardiovasculares, alguns tipos de câncer e até demências podem ser prevenidas ou diagnosticadas precocemente com acompanhamento médico adequado e mudanças no estilo de vida.
Atendimento pelo SUS
O check-up também pode ser feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde). De acordo com o médico, os postos de saúde estão preparados para realizar avaliações preventivas. O paciente deve agendar uma consulta e informar ao profissional que busca acompanhamento para prevenção.
A partir dessa consulta, o médico define quais exames são necessários e a frequência do seguimento. A recomendação inicial é procurar um clínico geral e, no caso de idosos, um geriatra.
Mitos comuns
O especialista também combate a ideia de que “quem procura médico acaba achando doença”. Segundo ele, essa percepção é equivocada e pode afastar as pessoas do cuidado preventivo. Exames excessivos e sem critério, além de não trazerem benefícios comprovados, podem gerar ansiedade e custos desnecessários.
A orientação, reforça o médico, é manter uma relação de confiança com um profissional qualificado e adotar hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e controle do peso.



