Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Rodrigo Prioli
A família de Julia Marquete Ferraz, uma menina de cinco anos com paralisia cerebral, prepara-se para viajar aos Estados Unidos em busca de uma cirurgia que pode ajudá-la a dar os primeiros passos. A viagem ocorre em meio a uma polêmica envolvendo o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCFMRP-USP) e o Ministério da Saúde sobre a capacidade de realizar o procedimento no Brasil.
O Anúncio do HCFMRP-USP
Na semana da viagem de Julia, o HCFMRP-USP surpreendeu a família ao anunciar que poderia realizar a cirurgia. O diretor do setor de Neurocirurgia Pediátrica do HCFMRP-USP, afirmou que o procedimento é feito rotineiramente no hospital e que o HCFMRP-USP respondeu prontamente à solicitação do Ministério da Saúde. Contudo, essa informação contrasta com os registros do próprio Ministério da Saúde, que indicam que as cirurgias realizadas no Brasil são destinadas a pacientes com níveis mais avançados de paralisia cerebral (graus 4 e 5), visando melhorar a mobilidade para cuidados básicos.
A Busca por Tratamento no Exterior
O pai de Julia, Alexandre Dumas Barbosa Ferraz, explica que a técnica oferecida nos Estados Unidos é diferente e tem o objetivo de permitir que Julia dê os primeiros passos. Ele questiona a posição do HCFMRP-USP, especialmente após uma desembargadora federal ter autorizado o pagamento da cirurgia no exterior, baseada na documentação apresentada. Alexandre desafia o hospital a apresentar um paciente que tenha conseguido andar após realizar a cirurgia em Ribeirão Preto. A família alega que nunca foi informada sobre a realização dessa técnica no Brasil.
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Contrapontos e Denúncias
A neuropediatra e fisiatra do HCFMRP-USP, Carla Caldas, afirma que indicou o tratamento para Julia no hospital, mas os pais optaram por realizar a cirurgia no exterior. Alexandre Ferraz também denuncia a falta de estrutura no hospital de Ribeirão Preto para a recuperação da filha, mencionando relatos de paralisação de cirurgias no setor de neurocirurgia. A mãe de Julia, Ana Paula Ferraz, confirma que a família procurou ajuda em todo o Brasil, mas não se sentiu segura para realizar o procedimento com neurocirurgiões brasileiros, buscando uma técnica com histórico de resultados a longo prazo nos Estados Unidos.
A situação de Julia reflete a busca por alternativas e a complexidade das decisões médicas em casos de paralisia cerebral, onde a esperança de uma vida com mais mobilidade impulsiona famílias a explorar diferentes opções de tratamento.



