Mesmo com a ampliação da vacinação contra a gripe para toda a população, Ribeirão Preto ainda está distante da cobertura vacinal considerada ideal. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, pouco mais de 30% da meta prevista foi alcançada, enquanto a expectativa é atingir 90% dos grupos prioritários.
O cenário preocupa profissionais da saúde, especialmente diante do aumento da circulação de vírus respiratórios. Além disso, uma pesquisa nacional aponta que quase 30% dos brasileiros afirmam não ter interesse em se vacinar, reflexo de uma redução na adesão observada nos últimos anos.
Para o infectologista Fernando Crivelenti, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, a vacinação continua sendo uma das principais ferramentas de prevenção contra doenças graves e mortes evitáveis.
Queda na adesão
Segundo o especialista, a vacinação está entre as medidas que mais contribuíram para o aumento da expectativa de vida da população, ficando atrás apenas do acesso à água potável em termos de impacto na saúde pública.
Crivelenti alerta que a recusa ou o atraso na imunização pode favorecer o retorno de doenças que estavam controladas no país. Ele cita o sarampo como exemplo de enfermidade que pode voltar a provocar surtos quando a cobertura vacinal cai.
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O médico destaca ainda que a chamada imunidade coletiva depende da vacinação de grande parte da população para reduzir a circulação de vírus e proteger grupos mais vulneráveis.
Grupos prioritários
Embora a vacina contra a gripe esteja disponível para toda a população, o infectologista reforça que idosos, crianças e demais grupos prioritários continuam sendo os mais vulneráveis às complicações causadas pela influenza. Segundo ele, a baixa adesão desses grupos pode resultar em aumento das internações hospitalares por pneumonia e outras complicações respiratórias associadas ao vírus.
O especialista lamenta que a meta de imunização dos públicos prioritários não tenha sido atingida antes da ampliação da campanha e afirma que muitos dos casos graves poderiam ser evitados com a vacinação.
Vacinas e segurança
Durante a entrevista, o médico também abordou dúvidas frequentes relacionadas à segurança das vacinas. Segundo ele, todo medicamento ou procedimento médico pode apresentar efeitos colaterais, mas os benefícios da imunização são amplamente superiores aos riscos.
Crivelenti explicou que vacinas podem provocar reações leves, como dor no local da aplicação, febre baixa ou indisposição temporária, mas não causam as doenças contra as quais protegem, como frequentemente é divulgado em informações falsas.
O infectologista também reforçou a importância da vacinação contra a Covid-19 e contra a dengue nos grupos contemplados pelas campanhas. Segundo ele, profissionais de saúde das unidades de vacinação estão preparados para orientar a população e esclarecer dúvidas sobre indicações, contraindicações e possíveis efeitos adversos.



