A Semana do Meio Ambiente, celebrada entre os dias 2 e 6 de junho, reforça a necessidade de discutir sustentabilidade e a adoção de medidas capazes de enfrentar os desafios ambientais atuais. Para o professor de Políticas Ambientais da USP, Marcelo Marine Pereira, as ações individuais são importantes, mas insuficientes sem o fortalecimento de políticas públicas voltadas à preservação ambiental.
Segundo o especialista, a estruturação de programas de fiscalização, recuperação e proteção dos recursos naturais é fundamental para enfrentar problemas que afetam diretamente a qualidade de vida da população. Ele avalia que questões ambientais ainda ocupam pouco espaço nos processos de tomada de decisão.
Na região de Ribeirão Preto, o professor destaca que diversos problemas ambientais estão interligados e refletem um modelo de desenvolvimento que prioriza aspectos econômicos em detrimento da preservação dos recursos naturais.
Recursos naturais
Entre os principais desafios apontados está a degradação dos cursos d’água da região, incluindo o Ribeirão Preto e seus afluentes. Segundo o especialista, a perda de cobertura vegetal e a redução da biodiversidade são consequências de um planejamento que não incorpora adequadamente as questões ambientais.
Outro ponto de atenção é o Aquífero Guarani, principal fonte de abastecimento de Ribeirão Preto. De acordo com o professor, apesar de sua dimensão, o recurso é finito e exige cuidados constantes para evitar tanto a superexploração quanto a contaminação das áreas de recarga.
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Ele alerta que o crescimento urbano em regiões sensíveis pode comprometer a qualidade da água subterrânea e dificultar sua reposição natural, tornando indispensável a adoção de medidas de proteção ambiental.
Áreas verdes
A baixa quantidade de áreas verdes em Ribeirão Preto também preocupa o especialista. Segundo ele, a escassez de vegetação contribui para o aumento das temperaturas, reduz a evapotranspiração e provoca perdas significativas na biodiversidade urbana.
O professor defende que o plantio e a manutenção de árvores façam parte do planejamento urbano, com definição adequada das espécies e dos locais de implantação. Para ele, a arborização vai além da questão paisagística e integra a infraestrutura das cidades.
Além de melhorar a qualidade do ar e amenizar os efeitos do calor, as áreas verdes servem de abrigo para diversas espécies de animais que convivem nos espaços urbanos.
Produção de resíduos
Outro tema abordado durante a entrevista foi a produção de resíduos sólidos. Segundo o especialista, a quantidade de materiais descartados pela população reflete um modelo de consumo que gera impactos ambientais cada vez maiores.
Ele ressalta que a prioridade deve ser a redução da geração de resíduos, seguida pelo reaproveitamento e pela reciclagem dos materiais. Apenas aquilo que não puder ser reutilizado ou reciclado deveria ser destinado aos aterros sanitários.
Para o professor, a adoção de hábitos mais conscientes por parte da população e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à gestão de resíduos são medidas fundamentais para reduzir os impactos ambientais e ampliar a vida útil dos sistemas de disposição final.



