Altos reajustes nos produtos típicos e crise financeira fazem com que expectativa seja de tentar igualar as vendas de 2015
A Páscoa de 2016 chega com um sabor diferente para o bolso do consumidor. Diante da recessão econômica, o tradicional ovo de chocolate pode ser substituído por opções mais em conta, como caixas de bombom e barras de chocolate. A alta dos preços não se restringe aos chocolates, impactando também outros itens básicos da mesa do brasileiro.
Austeridade na Escolha dos Chocolates
O vigilante Roberto Alves do Vale exemplifica a mudança de comportamento. Acostumado a comprar ovos de Páscoa, este ano ele optou por caixas de bombom, justificando o alto preço dos ovos. A cabeleireira Giannis Pindula também adotou alternativas, como barras de chocolate e ovos pequenos para as crianças, buscando equilibrar a tradição com o orçamento familiar. A pesquisa do PCPC revela que essa tendência é nacional: em 2015, 61% dos consumidores preferiam ovos de Páscoa, enquanto em 2016, apenas 45% mantêm essa preferência, com 55% buscando opções mais baratas.
Impacto da Inflação nos Preços
Paulo César Garcia Lopes, presidente do Cincovarpi, explica que os preços dos chocolates subiram acima da inflação do país. Enquanto a inflação nos 12 meses anteriores foi superior a 10%, o aumento nos preços dos chocolates, bombons e barras chegou a 12%. Esse aumento é reflexo da elevação do dólar, que impacta o custo das matérias-primas.
Outros Alimentos Também Mais Caros
A Páscoa mais cara não se resume aos chocolates. O presidente do Sincovarpe destaca que outros itens básicos da mesa do brasileiro também tiveram reajustes significativos. Uma pesquisa realizada pela federação do comércio apontou aumentos expressivos em produtos como alho (66%), cebola (50%) e azeite (32%). Peixes importados também registraram alta de 26%, superando a inflação média. A dependência de importação, mesmo para peixes de menor valor agregado, torna esses produtos vulneráveis à variação cambial.
Diante desse cenário, a previsão do Sincovarpe é que o comércio de Ribeirão Preto consiga, no máximo, igualar o desempenho de vendas da Páscoa do ano anterior, com um crescimento máximo de 2% em um cenário otimista.



