Ingo Ploger, vice-presidente da ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio), comenta os impactos para esse setor
A segunda-feira começou com muitas preocupações sobre as novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) expressou grande preocupação com os reflexos dessas tarifas adicionais, que impactam o Brasil e outros países.
Tarifas e Impacto na Economia
Ingo Plogger, vice-presidente da ABAG, explicou que o anúncio de Trump gerou um “tarifarço mundial sem precedentes”, com potenciais impactos negativos na economia global. Ele prevê uma redução do comércio internacional, um momento inflacionário e uma desaceleração do crescimento. No caso específico da agricultura brasileira, o impacto imediato ainda não está totalmente dimensionado, mas produtos exportados para os EUA sofrerão uma taxação de 10%, afetando o poder de compra do consumidor americano e, consequentemente, a demanda por produtos brasileiros.
Impacto no Agronegócio Brasileiro
Embora a taxação afete cerca de 15% das exportações brasileiras para os EUA (US$ 40 bilhões de um total de US$ 300 bilhões), o impacto não é uniforme. A América Latina, com poucas exceções, também está sujeita à tarifa de 10%. A alta do dólar pode mitigar parcialmente o impacto negativo, e a competitividade do agronegócio brasileiro, especialmente na produção biocompetitiva, também é um fator relevante. A incerteza reside na reação do consumidor americano, que tradicionalmente gasta menos com alimentos do que o brasileiro. A variação de preços de commodities como café também influencia o cenário.
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Estratégias e Negociações
Plogger destaca a importância de investir na competitividade do agronegócio brasileiro, evitando a dependência de mercados específicos. Ele defende a desregulamentação para melhorar a competitividade, a redução de impostos e a aprovação de projetos de lei que visem a isso. A ABAG, em conjunto com a Frente Parlamentar do Agro, trabalha na aprovação da “Lei da Reciprocidade”, que visa a negociação com países que imponham tarifas ou restrições comerciais injustas. Essa lei permite a resposta com medidas similares apenas após tentativas de negociação, buscando um equilíbrio nas relações comerciais internacionais. A expectativa é que, apesar dos desafios, o diálogo e a busca por interesses comuns levem a soluções benéficas para o Brasil e os EUA.



