Mais de 12 anos depois dos episódios de tortura e maus-tratos contra dependentes químicos em uma clínica de reabilitação de Ribeirão Preto, o caso voltou a ganhar repercussão após a condenação definitiva dos responsáveis. O Superior Tribunal de Justiça confirmou, em junho, a pena de 17 anos e 6 meses de prisão para quatro réus.
Com o fim dos recursos e o trânsito em julgado da condenação, em julho de 2026, a Justiça de Ribeirão Preto expediu os mandados de prisão definitiva. Três dos condenados foram presos, enquanto uma quarta pessoa continua sendo procurada pelas autoridades.
Investigações
A investigação começou em 2014, após relatos de internos e de mães que procuraram o Ministério Público. A Polícia Civil e o próprio Ministério Público cumpriram mandados de busca e apreensão na clínica, onde 10 pacientes foram retirados pelas autoridades.
Durante a operação, foram apreendidos pedaços de madeira, cordas e faixas hospitalares que, segundo as investigações, eram utilizadas para conter os internos. Os trabalhos apontaram que o local funcionava em um ambiente de violência sistemática e maus-tratos.
Ex-internos relataram agressões com pedaços de pau e tacos de bilhar, períodos prolongados de contenção, castigos e humilhações públicas. Também foram relatadas situações em que pacientes eram obrigados a andar sem roupas dentro da clínica.
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Réus presos
Entre os condenados estão Dijalma Antônio Hernáes Júnior, psicólogo e sócio da clínica, e a ex-mulher dele, Marlúci Belini, advogada. Os dois foram presos em Portugal depois de serem incluídos na lista de procurados da Interpol. Dijalma foi detido na região metropolitana de Lisboa, enquanto Marlúci foi capturada na Ilha de São Miguel. Os dois permanecem sob custódia preventiva em Portugal e aguardam a avaliação do processo de extradição para o Brasil.
A Justiça brasileira também procura Maria Teresa Cabreira Belini, médica psiquiatra e responsável técnica da clínica. O quarto condenado é Ângelo Belini, monitor de segurança e sobrinho de Dijalma.
Abusos
Segundo as investigações, os pacientes também eram submetidos ao uso forçado de uma mistura de medicamentos controlados, chamada de “Danoninho”. A substância era utilizada para anular a resistência dos internos. Ao longo do processo, Dijalma, Marlúci e Maria Teresa negaram a autoria dos abusos. Eles alegaram que a clínica seguia padrões terapêuticos aceitáveis e protocolos médicos vigentes na época.
A inclusão de Dijalma e Marlúci na difusão vermelha da Interpol ocorreu depois que a Justiça expediu os mandados de prisão definitiva e os dois não se apresentaram espontaneamente. Como eles haviam se mudado legalmente para Portugal no início das investigações, não havia impedimento para que deixassem o Brasil. Agora, a Justiça brasileira aguarda o andamento do processo de extradição para que os dois possam ser transferidos ao país e iniciem o cumprimento das penas em regime fechado.



