Uma denúncia feita por uma família de Jaboticabal acendeu um alerta sobre o funcionamento de clínicas de recuperação consideradas irregulares em Ribeirão Preto. A mãe de um homem de 33 anos, em tratamento por dependência química, afirma ter internado o filho em uma unidade que já havia sido interditada pela Vigilância Sanitária sem o seu conhecimento.
Segundo o relato, a internação foi intermediada por um serviço encontrado na internet, que indicava clínicas com vagas disponíveis na região. O homem permaneceu na unidade por 11 dias antes de ser retirado pela família, após surgirem dúvidas sobre a estrutura e o funcionamento do local.
Busca
A mãe conta que buscou ajuda pela internet e encontrou um número de atendimento que direcionava pacientes para clínicas com vagas disponíveis. A indicação levou a família até uma unidade localizada na rua Marquês de Valença, no bairro Alto da Boa Vista, em Ribeirão Preto.
Ela relata que a decisão pela internação ocorreu diante da dependência química do filho e da necessidade de tratamento. A família afirma que confiou nas informações repassadas pelo serviço de encaminhamento. Mesmo no dia da internação, a mãe afirma que deixou o local com preocupação em relação à estrutura observada. Segundo ela, a quantidade de funcionários parecia insuficiente para o número de internos na unidade.
Após a visita, a família passou a buscar informações com pessoas da área e recebeu relatos que aumentaram a desconfiança sobre o funcionamento da clínica. Ex-funcionários também teriam sido contatados para esclarecimentos sobre a situação interna.
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Relatos
De acordo com a mãe, o filho relatou falta de supervisão em atividades realizadas dentro da unidade. Segundo ela, internos eram responsáveis por tarefas como limpeza e cozinha sem acompanhamento técnico adequado.
A família também afirma que havia problemas com materiais de higiene e estrutura básica, como lavanderia, além de relatos de condições inadequadas para alguns internos.
Outro ponto citado pela família é que o homem teria sido colocado para auxiliar na cozinha poucos dias após a internação. Segundo o relato, ele não teria passado por avaliação médica durante o período em que permaneceu na clínica. A mãe afirma que o filho não recebeu acompanhamento médico nos 11 dias de internação e que as atividades realizadas não teriam supervisão profissional adequada.
Interdição
A família afirma que só teve conhecimento posteriormente de que a clínica havia sido interditada pela Prefeitura de Ribeirão Preto. Segundo a Vigilância Sanitária, a unidade foi autuada e interditada em maio deste ano por funcionar sem licença.
O caso foi encaminhado ao Ministério Público para apuração. A mãe afirma que decidiu retirar o filho imediatamente após saber da interdição.
Consequências
De volta para casa, o homem de 33 anos segue em acompanhamento psicológico. A família relata que a experiência deixou impactos emocionais e reforça a necessidade de cuidado em novas internações.
O caso também gerou um alerta na família sobre a necessidade de verificar a procedência de clínicas de recuperação antes de contratar serviços, especialmente diante de informações obtidas na internet.
O episódio ocorre meses após a morte de um interno em outra clínica de recuperação em Ribeirão Preto, caso que passou a ser investigado como morte violenta após laudo apontar traumatismo cranioencefálico e múltiplas lesões. A clínica citada em denúncias anteriores afirmou que suas atividades seguem normas aplicáveis às comunidades terapêuticas e negou irregularidades na execução das funções internas.



