Petrobrás reajustou valores de venda duas vezes em menos de 10 dias, algo que tem relação com a aceleração do câmbio
Alta de 4% nos combustíveis: reflexo do câmbio e do preço do petróleo
A Petrobras anunciou um aumento de 4% no preço dos combustíveis nas refinarias, sendo a segunda alta em menos de 10 dias. Esse reajuste é diretamente impactado pela disparada do câmbio, que atinge recordes diariamente. Apesar da manutenção do preço do diesel, parte do aumento de 4% na gasolina parece estar subsidiando o que deveria ser repassado também ao diesel, já que ambos derivam do mesmo barril de petróleo.
Preços internacionais e o fator sazonal
No dia 19 de [mês], o preço do petróleo no mercado internacional estava em US$ 60,91 por barril. Houve uma pequena oscilação para US$ 63, mas considerando que um barril equivale a 160 litros, o preço deveria estar desacelerando. A proximidade do Thanksgiving nos EUA, feriado mais importante que o Natal, que normalmente reduz o consumo, não impactou ainda o mercado internacional, com o preço do petróleo continuando a subir. A combinação do aumento do preço do barril com a alta do câmbio resulta no repasse de custos para toda a cadeia, da refinaria aos postos de gasolina, com margens pequenas demais para absorver o aumento sem repassá-lo ao consumidor final.
Etanol: um cenário à parte
Diferentemente da gasolina, o etanol segue o ciclo da entressafra. Com o fim da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, a tendência é de alta de preços entre novembro e março. Embora possa haver exceções devido a estratégias de mercado e estoques maiores, o aumento do etanol anidro (25% da gasolina comum) acompanhou a alta da gasolina.
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Em resumo, o aumento recente nos preços dos combustíveis é resultado de uma combinação de fatores internacionais e cambiais, impactando diretamente o consumidor brasileiro. A situação do etanol apresenta particularidades devido ao seu ciclo de produção e comercialização.