Com enchentes no Rio Grande do Sul surgiu a especulação de que haveria falta do produto nos mercados
As enchentes que atingem o sul do país acenderam um alerta sobre o abastecimento de arroz, mas autoridades e representantes do setor garantem que não há risco de desabastecimento do produto no mercado interno.
Situação da produção no Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul é responsável por cerca de 70% da produção nacional de arroz. Segundo o presidente da Federação da Agricultura do estado, Gedeão Pereira, aproximadamente 84% da safra já foi colhida e a quantidade disponível é suficiente para suprir o mercado interno pelos próximos dez meses.
Impacto das enchentes na logística e nos preços
Apesar da oferta estar assegurada, as cheias danificaram trechos de estrada e prejudicaram a distribuição. Estoques ficaram retidos no estado e demoraram a chegar às indústrias e supermercados, pressionando os preços. Na última semana houve alta de cerca de 15% no preço do arroz, segundo levantamento da Associação Paulista de Supermercados (APAS).
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Uma pesquisa rápida em mercados de Ribeirão Preto mostrou que o pacote de 5 kg varia entre R$ 25 e R$ 38, dependendo da marca. O vice-diretor da APAS, Rodrigo Canezim, estima que a normalização dos preços deve ocorrer em torno de 60 dias, à medida que a logística for restabelecida.
Medidas adotadas e previsões para o abastecimento
Para evitar rupturas, indústrias e o governo federal já sinalizaram a possibilidade de importar arroz caso seja necessário. Medidas de limitação de compra chegaram a ser adotadas por alguns supermercados, principalmente em Minas Gerais, mas a APAS considera a restrição desnecessária e diz que não há orientação generalizada nesse sentido.
Além disso, parte da demanda observada nas prateleiras foi causada pela campanha de doações a vítimas das enchentes: muitas famílias compraram cestas básicas, nas quais o arroz é item prioritário, gerando procura localizada que nem sempre foi rapidamente reposta.
Com a colheita majoritariamente concluída e a possibilidade de importações como contingência, especialistas e autoridades indicam que os consumidores não devem enfrentar falta do produto nas gôndolas, embora possam sentir variações de preço e eventual pouca disponibilidade pontual até que a distribuição seja totalmente normalizada.



